Projeto emprega vítima de violência doméstica em São Paulo

Por Metro Jornal

“A partir de agora, quero paz e o melhor para mim.” Há dois meses, uma oportunidade trouxe de volta à Ana (nome fictício), 55 anos, o ânimo e os planos para a vida.

A rotina, antes marcada pela violência doméstica, agora se pauta pela dedicação ao trabalho, que conquistou por intermédio do programa Tem Saída, ação conjunta entre a Prefeitura de São Paulo, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) e ONU Mulheres.

A iniciativa, lançada em agosto do ano passado, visa a dar autonomia financeira e empregar mulheres que passam pelo problema e, assim, terem mais condições de deixarem a situação.

“Uma das razões pelas quais muitas mulheres não saem da casa do agressor é por serem dependentes financeiramente dele. Quando elas sabem que têm possibilidade de geração de renda, enxergam horizonte para saírem desse ciclo”, diz a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Aline Cardoso.

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Até o início do mês passado, 14 mulheres haviam sido empregadas pelo programa e foram emitidos 239 ofícios pelo sistema judiciário. São mais de 150 vagas ofertadas nesta primeira fase do programa, em áreas do comércio e de serviços.

No caso de Ana, a violência começou menos de um ano depois de se casar, no Rio de Janeiro. Ao dançar com o cunhado na festa de aniversário dele, o marido a agrediu. “Ele me deu vários empurrões, ainda na festa. A gente não consegue, de imediato, assimilar tudo e vai deixando passar o tempo.”

Ana queria terminar a relação, mas as circunstâncias a barravam. “Quando eu não queria ter relação sexual, ele me estuprava. Acabei engravidando mais duas vezes. Pensava em uma forma de me separar, mas não conseguia por causa das crianças.”

Após levar uma surra em dezembro de 2004, e com os filhos já encaminhados, Ana decidiu romper o casamento abusivo de 18 anos. Com o filho militar sendo transferido para São Paulo, ela se mudou com ele, porém, não conseguia um emprego para se manter. Até que soube do Tem Saída e, desde outubro, atua na área de limpeza de uma empresa.

Com a oportunidade, Ana virou uma página da sua vida e segue aos próximos capítulos. “Meu plano agora é fazer um curso de massoterapia.”

Como funciona

A vítima em situação de violência doméstica e familiar é atendida pelo programa a partir do momento em que ingressa com denúncia contra o agressor no Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário ou na delegacia.

Depois disso, é encaminhada aos locais de seleção de emprego da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e passa por processo seletivo diferenciado, com apoio da equipe técnica da pasta e das áreas de recursos humanos das empresas parceiras.

As mulheres que não entrarem imediatamente no mercado de trabalho irão compor o Banco de Talentos do programa para novas entrevistas e serão capacitadas em cursos de parceiras.

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