José Auricchio Júnior, prefeito de São Caetano, faz balanço dos dois anos de mandato; leia entrevista

Por Cadu Proieti - Metro Jornal ABC

José Auricchio Júnior (PSDB), prefeito de São Caetano, entra no terceiro ano do terceiro mandato prometendo aumentar investimentos na cidade em 2019, uma melhor qualidade na saúde e diz que, neste momento, a reeleição não passa pela cabeça dele.

Qual o balanço dos dois anos de mandato?
Ao chegarmos aqui, tínhamos ideia de que precisaríamos de pelo menos 30 meses para organizar as finanças públicas. Tínhamos déficit orçamentário da ordem de R$ 250 milhões para um orçamento de R$ 1 bilhão naquele ano. Então, tínhamos 25% de déficit orçamentário. Promovemos grande choque econômico, com uma série de medidas em curto espaço de tempo. Isso trouxe resposta bastante satisfatória. Tanto é que em menos de 24 meses a gente já tinha a previsão de chegar a um ponto de equilíbrio, como de fato estamos. Terminamos o ano passado com superávit financeiro. Isso para nós é muito importante, atingimos uma meta antes do prazo estipulado. Tanto é que conseguimos investir 2% (do orçamento em obras) em 2018, algo que no ano anterior foi zero. Ainda temos previsão de triplicar a capacidade de investimento em 2019, chegar em torno de 5% da receita corrente líquida, o que nos dá expectativa de um novo biênio extremamente positivo, trazendo a cidade de volta à rota do crescimento e desenvolvimento.

O que é possível projetar de obras para 2019 e 2020?
Nossa prioridade é o Atende Fácil Saúde, que é, indiscutivelmente, a principal meta para os próximos dois anos. Há previsão de investimento grande em reformas, ampliação e construção de escolas. Temos também previsto um sistema de vídeomonitoramento acoplado a uma nova central de gerenciamento de emergências. Teremos as obras com financiamento misto, com verba do Avançar Cidades, do governo federal, e estamos pleiteando junto à CAF (Comunidade Andina de Financiamento). São dois eixos que estamos pleiteando financiamento, um de mobilidade urbana e outro no setor de saneamento, como obras contra enchentes, melhorias na distribuição de águas e rede de esgoto. Na mobilidade, temos um plano grande, com novo terminal rodoviário e uma nova malha cicloviária, melhorias do calçamento.

Qual será o impacto do Atende Fácil Saúde na rede?
Será muito grande, não só na rede como na qualidade de assistência ao morador. É um equipamento inédito, algo intermediário entre os grandes ambulatórios, como o AME, e uma unidade hospitalar. Haverá quatro vertentes importantes: atendimento ambulatorial de especialidade, atendimento geriátrico, centro de diagnósticos e a primeira farmácia pública em funcionamento ininterrupto.

Existe equipamento semelhante em São Paulo?
Para falar a verdade, não conheço igual nem fora da Grande São Paulo. É além de um AME. Na rede privada tem algo parecido.

A criação do colégio da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) gerou polêmica. Houve protesto de alunos contra possível fechamento de escolas. Por que acredita que houve essa polêmica?
Tiveram três fatores. Primeiro, um déficit de comunicação. Mas não adiantava a gente antecipar qualquer coisa sem ter aprovação do Legislativo. Além disso, houve as malditas fake news. Outra coisa foi a polarização do tema, levado a um debate enviesado, que acabou trazendo informação distorcida. Assim que o projeto foi aprovado, abrimos discussão com os pais, que se mostrou positiva. Não perdemos uma vaga sequer. Pelo contrário, ganhamos equipamento de alto valor agregado, do ponto de vista pedagógico, para o ensino médio. Uma prova disso é que eram 280 vagas e tivemos cerca de 1,1 mil inscritos no vestibulinho. E tenho certeza que essa demanda vai duplicar. A qualidade é muito superior a qualquer outro projeto da área. Acho que está superada essa questão.

Outra polêmica foi a mudança na taxa do lixo. Mexer no bolso do contribuinte é sempre delicado?
É importante dizer que quase 80% da população teve uma mexida no bolso positiva. A taxa do lixo trouxe não só melhoria no padrão de qualidade de limpeza pública, mas a garantia de uma perenidade por décadas de um sistema sustentável do financiamento da limpeza pública, sem onerar quase 80% das inscrições imobiliárias, que tiveram redução do valor. Teve um pequeno percentual com impacto negativo, de aumentar o valor, que eram locais subtaxados, como grandes imóveis, indústrias, setores de saúde, que foram revistos no novo plano. Não quero aqui entrar em polêmica, mas há casos em São Bernardo em que a taxa do lixo é maior que o IPTU.

A eleição do Doria ficou marcada por um racha no PSDB. Como vê essa divisão?
É inegável que houve um grau de abalo no partido nessas eleições. Não vou entrar no mérito de qual a motivação, mas houve. Só que o partido é maior do que isso. Estou em um partido absolutamente ligado aos valores sociais-democratas, e isso precisa ser preservado. Na medida que se afasta desses valores, tende a aumentar o nível de tensionamento. É natural que exista renovação de poder dentro da sigla. O governador [João] Doria é, indiscutivelmente, um dos grandes líderes que o partido tem. É natural que ele tenha o domínio do diretório estadual e consiga participação significativa com o nacional. Com isso, carrega com ele os valores que ele tem, que entendo ser também os da social-democracia, até porque o Doria é forjado nesse modelo, foi ligado ao Mário Covas, Franco Montoro, Geraldo Alckmin.

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, prega mudança radical no PSDB, inclusive com troca no nome do partido. O senhor concorda com isso?
Confesso que não conhecia esse pensamento. Entendo que a rediscussão do modelo social-democrata é válida dentro do partido. Agora, o que significa mudança radical? Não consigo interpretar o que é isso. Mudar de nome é uma questão semântica, eu não vejo necessidade. Mas é óbvio que o prefeito tem papel importante no partido e tem que ser escutado.

Qual foi seu peso na eleição de Thiago Auricchio, seu filho, a deputado estadual?
Francamente, minha participação foi muito menor do que as pessoas pensam. Thiago foi candidato por decisão própria dele. Claro que com consulta ao grupo político que a gente pertence e que ajudei no que foi possível, mas o Thiago tem opinião própria, não é deputado filho de prefeito. Ele é muito focado, gosta, estudou. Para ser muito sincero, eu era até contra isso. Fui contra até o momento em que percebi que era um movimento irreversível. Depois que percebi isso, não adianta ficar remando contra. Ele até se aconselha conosco, mas ali vai ser o mandato dele, sem interferência.

O atual governo do senhor já conseguiu deixar marcas?
Primeiro, estou no terceiro mandato. E ninguém chega ao terceiro mandato se não tiver uma marca definida. A população me vê como bom gestor, sobretudo no que tange os assuntos da saúde. Então, isso está claramente fincado neste mandato. Acho que o primeiro biênio mostrou que temos uma boa capacidade de gestão, os resultados da primeira resposta minha aqui [na entrevista] demonstram isso. Podem esperar que no segundo biênio vamos, obviamente, cuidar da segurança, educação e infraestrutura, mas com viés muito grande em trazer qualidade à saúde pública, algo que a população sempre reconheceu na gente. A primeira marca é o ajuste fiscal que promovemos. A segunda é o que sempre fizemos, melhorar a área da saúde, e vamos implementar isso no segundo biênio.

Pretende tentar reeleição?
Primeiro, é muito precoce essa discussão. Isso tem que ser debatido em 2020. Nesse momento, confesso que não penso em reeleição. Penso mais em fazer um bom terceiro mandato e depois me dedicar um pouco mais à família. Mas ainda vamos discutir isso com nosso pessoal. Hoje, meu desejo é esse (de não tentar reeleição).

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