Orlando Morando, prefeito de São Bernardo, faz balanço dos dois anos de mandato; leia entrevista

Por Vanessa Selicani - Metro ABC

Um dos tucanos mais próximos do governador João Doria, Orlando Morando faz balanço de seus dois anos no comando de São Bernardo e não poupa críticas em relação aos rumos do PSDB: “Defendo alterar estatuto, nome e os dirigentes do partido.”

O que motivou o fraco desempenho do PSDB nas eleições de 2018?
O PSDB não fez autocrítica. A cúpula do partido imaginou que o eleitor ia passar despercebido diante dos erros graves cometidos nos últimos 3 anos por agentes do nosso partido que não sofreram punição. Eduardo Azeredo é preso e continua no PSDB, Aécio se envolve em ações horríveis e PSDB não faz nada. Nós nos descredenciamos para essa eleição com o eleitor. Compete a essas novas cabeças, em que, na minha avaliação, João Doria é o grande líder natural, a purificação do partido. Precisamos oferecer nova proposta. Defendo alterar estatuto, o nome do partido e os dirigentes.

Até o nome deve mudar?
Hoje, quando se fala PSDB, as figuras que retratam o partido não retratam mais os desejos da sociedade. Não precisamos apagar o passado, sempre serão reconhecidos os feitos por esses agentes que colaboraram com a democracia, mas é um novo momento. Nós precisamos de nova pauta para o Brasil.

Como ficam figuras como Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso nesse novo PSDB?
Acho que todos são fundadores do partido e estavam antes da minha chegada. Todos que aceitarem se modernizar com a proposta são bem-vindos. Ninguém será convidado a deixar o partido e nem nos cabe isso. Mas tem que se atualizar. Não dá para continuar o mesmo discurso. O FHC, toda eleição nacional, é o agente para criticar publicamente o candidato do PSDB. É um desserviço. Me traz a impressão de que ele quer que ninguém supere o feito dele no passado de ser presidente. Está ultrapassado. Temos que fazer a autocrítica e cortar na própria carne.

Não foi confuso o PSDB ter criticado e depois apoiado Jair Bolsonaro?
São dois momentos. Quando todos estavam disputando, tínhamos nosso candidato. No segundo turno, não tinha mais. Imediatamente, eu e o Doria anunciamos apoio ao Bolsonaro pelo princípio de negação ao PT. Para mim, não haveria nada pior que o PT de volta. Mas insisto, esse desempenho do PSDB foi se acumulando. A sociedade não quer mais esse jeito tucano de ficar no muro.

Faltou empenho de políticos do ABC na campanha do Doria?
Tínhamos situação atípica. Era a primeira vez que o PSDB disputava contra o governador em exercício. Naturalmente, se criou fragmentos. Tivemos prefeitos que o partido estava coligado com o governador, nada mais do que legítimo apoiarem. Mas tivemos, não só na região, prefeitos do PSDB declarando apoio ao [Márcio] França e outros que poderiam ter feito mais. Todo mundo tem direito de fazer escolha. O que não dá é fazer de conta que está ajudando um e todo mundo sabia que não estava. Mas a eleição passou e o João vai governar para todos.

É hora de juntar os cacos?
Não estamos muito dispostos a juntar cacos. Tem caco que é melhor ir para o entulho.

Quem seriam esses cacos?
Não precisa de nome. O caco ruim sabe de quem estamos falando.

Qual sua avaliação de 2018 para a cidade?
Foi um ano de entregas, de arrumar a casa, ter equilíbrio financeiro. Isso possibilitou a cidade ter um rating [classificação de crédito] B. Saímos do vermelho D e pulamos para o B. Entregamos dois viadutos, a duplicação da avenida José Odorizzi, o primeiro corredor de ônibus exclusivo da cidade, o João Firmino. Entregamos o terminal Grande Alvarenga. Resolvemos problema crônico que foi a nova balsa, que devolveu o conforto para população. Entregamos duas creches, com 1.500 novas vagas. (…) O Hospital de Clínicas está funcionando 100% de sua capacidade. No esporte, reformamos três complexos. Chegamos a 85% das obras do piscinão do paço executadas, vamos entregar em agosto de 2019. Novo hospital de urgência, chegamos a 70% dele. Também entrega em 2020, termina a obra em 2019 e entrega em 2020. Foi ano de bons resultados e deixamos a cidade melhor preparada para 2019.

Tivemos 3 mortes por conta das chuvas no ano passado e o Drenar não está pronto. O que é possível fazer para agora?
Eu peguei a obra do piscinão do Paço abandonada, comprovada pelo Ministério das Cidades. Não tinha recursos para tocar e precisava fazer realinhamento no contrato. Fizemos isso, contratamos o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) para auditar a obra e estou tocando. Tem 500 homens trabalhando nesta obra hoje. Não tem omissão, não tem obra parada. Agora, não adianta vender ilusão. Enquanto não tiver essa obra concluída, se tiver novo volume pluviométrico grande, a cidade terá enchente. Criamos em 2017 a Operação Pé D’Água, que funciona bem. Mas em 2018 a chuva se antecipou e as mortes ocorreram em novembro, antes do verão. Estamos implementando o fechamento de ruas quando há temporal, o que já ocorreu. Mas não é medida fácil. Se tiver que fechar a avenida Jurubatuba em horário de pico, corro o risco de impactar o transito da Anchieta e das demais cidades. Se for para preservar vida, vamos fazer. A solução definitiva é a conclusão do piscinão na região central.

Quais ruas teriam que ser fechadas em dia de chuva?
A Jurubatuba e a Faria Lima. Mas ao fechar essas vias, vamos parar o Centro de São Bernardo inteiro. Eu mesmo monitoro isso junto às equipes. Percebendo que o nível sobe e oferece riscos, as ruas vão ser fechadas.

A ordem de fechar vai sempre passar pelo senhor?
Não obrigatoriamente. Sou muito ativo na cidade, mas não precisa ser autorizado pelo prefeito. Estando conectado, vou fazer. Até porque tem muitos efeitos colaterais.

Um ano de auditoria não foi muito tempo para o piscinão do Paço?
Não se perdeu um ano inteiro. A maior dificuldade não foi a auditoria, foi o Ministério das Cidades. Eles precisavam aceitar a atualização do contrato. O Luiz Marinho [ex-prefeito do PT] deixou grande problema. Ele sabe disso.

Como está a situação do Museu do Trabalho? Por que o Ministério da Cultura não aderiu ao TAC (Termo de Ajustamento de Conduta)?
O Ministério não aceitou o TAC, então o contrato foi rescindido. Nós avançamos na Vara Cível com o caso. Em 2019, a gente retoma e finaliza para transformar em Fábrica de Cultura.

O que significa o rompimento do contrato?
[O ministério] não enviará mais verba. A prefeitura deixa de receber R$ 4 milhões que tinha direito de crédito no Ministério da Cultura.

Há corredores de ônibus há muitos anos em construção. Qual a expectativa de entrega?
A administração anterior tinha anseio de assinar contrato, mas não de ter planejamento. Tanto que a estrada do Alvarenga eu peguei parada a obra na região do Hospital de Clínicas. Avançamos quase um quilômetro. Todas as desapropriações foram feitas. Em 2019, entregamos o trecho no primeiro semestre, se não total, boa parte dele. Os demais estão em execução. Neste ano vamos finalizar o Luiz Pequini com a Rotary no Leste-Oeste. Mas quando tem desapropriação, transcende a vontade política e do construtor.

Existiram conflitos no Consórcio Intermunicipal do ABC, que o senhor presidiu por dois anos. O que aconteceu?
Entrego o Consórcio com corte de gastos que nunca ninguém fez. A receita corrente líquida que as prefeituras pagavam era de 0,5%, nós reduzimos para 0,17%. São posições pessoais de cada prefeito, respeito. O que me estranha é que todos que anunciaram saída [Diadema, Rio Grande da Serra e São Caetano] estavam há anos na entidade e alguns presidiram e nunca tomaram essa atitude. O que me leva a crer que é muito mais um problema político do que com o Consórcio.

Qual foram as divergências entre vocês?
Da minha parte, nenhuma. Às vezes tem algumas “picuinhas”. Mas passo por cima.

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