Patinete elétrico ganha o mundo dos veículos compartilhados e se expande na capital; falta regulamentação

Por Metro São Paulo

No patinete elétrico, o empresário Leandro Harada, 34 anos, vai percorrendo as ruas de São Paulo. Mas vestido em traje social? É que o momento não é de passeio, mas sim a ida para uma reunião de trabalho. O “quase brinquedo”, que antes era associado ao lazer, ganhou função de meio de transporte na capital desde agosto, quando empresas começaram a testá-lo como veículo compartilhado, prática já comum em cidades americanas, como São Francisco e Nova York.

Com aluguel de baixo custo, conduzido com pouco esforço e, consequentemente, menos estresse, a aprovação do público tem sido tamanha, que o patinete mostra que veio para fazer parte da rotina dos paulistanos nos trajetos de curta distância, em locais movimentados, como as regiões das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Paulista.

A pausa para o almoço tornou-se um momento ainda mais descontraído para o analista Caio Novaes, 24 anos. “Costumo usar para ir almoçar, assim, evito o trânsito e é bem mais divertido.”

patinetes

Sem ordenação por parte da prefeitura, o serviço ainda funciona sem regras oficiais. No entanto, a administração fala que mantém diálogo com as empresas “para analisar possível regulamentação”.

A cada dia, o uso do equipamento vem ganhando mais adeptos, na percepção de André Finger, sócio de uma das empresas prestadoras da atividade, a Scoo. “A cada semana tem volume de viagens maior que a anterior, um crescimento de 20%”, afirma. A média é de 100 a 120 viagens por dia, número que dobra nos fins de semana. Funcionando inicialmente com 20 patinetes, de maneira experimental, a empresa já tem hoje 1.000.

A Ride, que após fusão com outra empresa adotou a marca Grin, começou com 50 unidades e, atualmente, opera com mais de 500. A Yellow não detalha a quantidade de patinetes, por ser “informação estratégica”, mas ressalta que a área de atuação em agosto, quando iniciou, até agora, “está três vezes maior”. Todas projetam expansão para o próximo ano.

Para Paulo Henrique Bogo, fundador do Canal Mova-se – dedicado à mobilidade, acessibilidade e inclusão –, é “inevitável” que os novos modais de transporte invadam as cidades. “Os patinetes são alternativa para deslocamentos curtos, mas é preciso que haja regulamentação e o poder público, a iniciativa privada e a sociedade devem debater para tentar chegar ao consenso”, diz Bogo, acrescentando a necessidade de expandir a atuação para as periferias.

Como funciona

  • Para usar
    É preciso baixar aplicativo de celular de uma das empresas operadoras do serviço e retirar o patinete em um dos locais indicados. Ao chegar ao local deve-se escanear o QR Code com a câmera do smartphone para destravar o veículo.
  • Onde estão
    Há postos na avenida Paulista, Consolação, Vila Madalena, Pinheiros, Itaim Bibi, Vila Nova Conceição, Vila Olímpia, Brooklin e região dos Jardins.
  • Quanto custa
    A partir de R$ 1 para destravar o patinete (no caso da Scoo e R$ 3 da Grin e Yellow) e a cada minuto utilizado R$ 0,25 e R$ 0,50, respectivamente.
  • Recomendações
    Como não há regulamentação do uso por parte da prefeitura, as empresas dão algumas orientações, como fazer uso de equipamentos de segurança, respeitar as leis de trânsito e não ultrapassar os 6km/h em calçadas e 20km/h, em ciclovias e ciclofaixas. A administração municipal declara que, no caso de uma futura regulamentação, “irá trabalhar para garantir a segurança de todos os usuários do espaço público, especialmente os pedestres”.

Esqueça o aluguel

Quer um patinete elétrico só seu? Em lojas de departamento e na internet é possível encontrar diversos modelos. Os mais simples, que atingem até 15 km/h e têm bateria com autonomia para cerca de 8 km, custam a partir de R$ 800. Os mais envenenados, que alcançam o dobro da velocidade e rodam por 30 km sem recarregar, podem custar cerca de R$ 4 mil – ou mais.

Patinetes elétricos pelo mundo

  • Estados Unidos
    Foi em São Francisco, na Califórnia, e com mais força no ano passado, que se iniciou a onda dos patinetes elétricos. E foi lá, também, que os primeiros problemas apareceram: conflito com pedestre, acidentes, desrespeito às leis de trânsito e o abandono. Para começar a resolver os problemas, o governo local chegou a proibir os patinetes neste ano, e depois criou uma lei para o serviço, taxando e limitando as empresas. Já espalhada pelo resto do país, a onda tem atraído adeptos e investidores. Gigante automobilística, a Ford entrou no ramo e adquiriu mês passado uma empresa de aluguel de patinetes por US$ 100 milhões.
  • Europa
    O aluguel de patinetes elétricos se popularizou na Europa no fim do primeiro semestre deste ano, por Paris, na França, levado pelas mesmas empresas que iniciaram o serviço nos EUA. Os modelos também já são vistos na Alemanha, Suíça, República Tcheca, mas é na Espanha que têm chamado mais atenção. A capital Madri criou regras proibindo patinetes nas calçadas (só ruas e ciclovias) e obrigando o uso do capacete. O ex-jogador Ronaldo foi flagrado em novembro desrespeitando a lei. Em Barcelona, que se antecipou e regulamentou o serviço no ano passado, uma idosa de 90 anos morreu no último mês de agosto atropelada por um patinete. A cidade já multou neste ano mais de 1,5 mil “motoristas”.
Patinete elétrico Usuários de patinetes de aluguel na ciclovia da avenida Brigadeiro Faria Lima. / André Porto/Metro
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