Graphic novel conta trajetória do criador do Superman

Por Amanda Queirós - Metro São Paulo
capa A História de Joe Shuster

Qual a melhor maneira de recontar a vida de alguém que viveu de quadrinhos? Para o escritor Julian Voloj e o desenhista Thomas Campi, só havia um jeito possível: criar uma graphic novel.

É nesse formato que os dois apresentam a trajetória do ilustrador que, ao lado do amigo Jerry Siegel (1914-1996), concebeu, há 80 anos, o Superman.

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“A História de Joe Shuster – O Artista por Trás do Superman” explora a criação do personagem a partir do sujeito que conferiu a identidade visual do herói que se tornou ícone da cultura pop. 

Mas, para além do personagem, a graphic novel faz o leitor entender quem era Joe Shuster (1914-1992) a partir de uma leitura intimista.

“Sempre se ouve a história do Superman pela perspectiva de Jerry, que era o porta-voz, o cara mais ativo. Joe era seu amigo e estava junto dele, mas também era um protagonista dessa história, apesar de suas lutas ainda não serem muito conhecidas”, afirma Voloj.

A História de Joe Shuster Reprodução

O livro apresenta o artista desde a infância rodeada por quadrinhos, passando pela adolescência e a amizade com Jerry ainda na escola até culminar na criação do Superman e os 30 anos de batalha judicial que os dois enfrentaram para retomar os direitos sobre o personagem, vendidos em 1938 por meros US$ 130 e reconquistados apenas em 1975.

“Joe se juntou à briga legal apenas pela amizade com Jerry, pois achava que ele merecia mais do que recebia, e isso basicamente destruiu a vida deles”, diz Voloj.

Para conceber o roteiro, o roteirista fez as vezes de detetive: colheu entrevistas e visitou a casa de Shuster, em Cleveland. Além disso, ele também teve acesso a documentos inéditos, como um pacote de cartas escritas por Joe, doadas há cinco anos à Universidade de Columbia, e encontrou produções feitas pela dupla, ainda adolescente, nos tempos da escola.

Shuster e Siegel foram os responsáveis por iniciar a era de ouro dos quadrinhos americanos, um feito e tanto para dois artistas judeus.

“Hoje falamos muito sobre imigração, sionismo e racismo. Mas, naquela época, a indústria de HQs era resultado da descriminação. Quase todo mundo que trabalhava ali era judeu ou ítalo-americano, gente que sofria preconceito. Quase todos os quadrinhos pioneiros têm essa raiz.”

Passados 80 anos, Superman puxa hoje uma lucrativa indústria que se expande pelo cinema. Será que Joe estaria satisfeito com o destino do personagem?

“Ninguém pensou que esse fenômeno duraria. Filmes de super-heróis são um grande negócio hoje, e acho que Joe e Jerry definitivamente estariam felizes. Mas acho que eles não gostariam desse novo Superman, mais deprimido e sombrio”, conclui Voloj.

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