A gastronomia salva: conheça iniciativas que reescrevem histórias pela culinária

Por Metro Jornal
Alex Atala selo Arte / Metro Jornal

Projetos oferecem oportunidade para crianças, pessoas em dificuldades ou vítimas de violência para reescreverem suas histórias. Conheça algumas dessas iniciativas de São Paulo:

LEIA O METRO DESTA QUARTA-FEIRA (28) COM O EDITOR CONVIDADO ALEX ATALA

Gastromotiva Alunos assistem aula da Gastromotiva na Universidade Anhembi Morumbi / Foto: André Porto / Metro Jornal

Gastro Motiva
A Gastromotiva é um programa social criado por David Hertz, chef pioneiro da gastronomia social no Brasil. A intenção principal é utilizar os elementos da gastronomia para unir pessoas e  promover equidade e inclusão social, reinserindo as pessoas na sociedade.

O coordenador da Gastromotiva, Diego dos Santos, explica que o programa ensina a trabalhar em equipe e desenvolve experiência profissional, o que possibilita uma visão mais ampla e dá oportunidade para quem antes não tinha. A aluna Lourdes Cantero, 28, leva o projeto como um divisor de águas em sua vida. “Até o momento não havia me encontrado profissionalmente. Hoje vejo que a cozinha é um dos lugares que mais amo estar”, emociona-se ao contar.

O curso chegou a ser aplicado em 2013 na Penitenciária Feminina da Capital em São Paulo, com o objetivo de reinserir mulheres na sociedade por meio de uma boa formação profissional na área da cozinha. “Este elemento que nos une, que é alimentar, é muito potente. Ele não alimenta só a barriga, ele alimenta a alma e a esperança”, diz o chef Alex Atala, que ajudou na elaboração do curso.   

Projeto Buscapé Aluna do Projeto Buscapé prepara salgados para assar / Foto: Divulgação

Projeto Buscapé

“Foi uma experiência sensacional na minha vida”: É assim que o estudante Johran Cavalcante, 18 anos, descreve sua participação nas aulas de gastronomia do Projeto Buscapé, iniciativa presente em São Sebastião (191 km de SP).

Em aulas semanais, centenas de crianças aprendem técnicas básicas de culinária. “Aprendi a preparar vários tipos de comida e tive oportunidade de cozinhar em uma cozinha industrial”, conta Johran.

Apesar da variedade de técnicas ensinadas, o foco das aulas está na cozinha caiçara. “Antes de conhecer a cozinha do mundo é preciso conhecer e valorizar a própria”, justifica o chef Eudes Assis, responsável pelo curso.

Para Assis, ajudar o projeto significa possibilitar que jovens tenham as mesmas boas experiências que ele teve por meio da gastronomia: “Ela transformou a minha vida, me mostrou o mundo e me levou a lugares que nunca imaginei ir”.

Há 11 anos, o Projeto Buscapé desenvolve ações sociais e já atendeu mais de 1.200 crianças – hoje, são cerca de 150. Há também aulas de judô, música, natação, entre outras atividades.  

Gastronomia periférica Edson Leite no Sonego Bistrô, no Jardim São Luís / Foto: Divulgação

Gastronomia Periférica

A primeira vez que Edson Leite, então com 22 anos, viajou de avião foi para sair do país. Em Lisboa não haveria a violência cotidiana que ele enfrentava naquele conturbado Jardim São Luís (zona sul) de 2006, ano dos ataques do PCC à polícia de São Paulo. Em Portugal, se arranjou na cozinha. Começou lavador de pratos – chegava a 700 por dia – e terminou chef. De volta ao Brasil em 2012, se reencontrou com a periferia e no ano passado criou o projeto Gastronomia Periférica, que mantém Sonego Bistrô, um restaurante-escola onde jovens da quebrada aprendem a profissão de cozinheiro. “Minha comida chega a lugares em que eu mesmo não consigo chegar. É preciso transformar a favela de dentro para fora a partir dessa molecada”, diz Edson Leite.   

Bistrô Mãos de Maria Elizandra Cerqueira no Bistrô Mãos de Maria, em Paraisópolis / Divulgação

Bistrô Mãos de Maria

Tudo começou com um curso de capacitação em doces e salgados para mulheres de Paraisópolis, em 2007. “Vimos que mais da metade da turma tinha Maria no nome”, recorda Elizandra Cerqueira, 30 anos, presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis. O projeto para empoderar e gerar renda a mulheres vítimas de violência doméstica ganhou, assim, seu nome: Mãos de Maria. Quando abriram o restaurante, ele só podia ser, então, o Bistrô Mãos de Maria. Elizandra conta que a clientela é composta por moradores da comunidade, vizinhos do Morumbi e até estrangeiros. Para 2019, Elizandra sonha alto: quer estruturar um modelo de franquia social baseada em sua experiência com o bistrô. Sorte!   

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