Reforma da Previdência vem no máximo em 2019, diz Bolsonaro a Datena

Novo governo. Em entrevista exclusiva ao programa Brasil Urgente, da Band, Jair Bolsonaro também confirma ser favorável à extradição de Cesare Battisti

Por Metro Jornal com Band TV

Em entrevista exclusiva concedida ontem ao jornalista José Luiz Datena, durante o programa “Brasil Urgente”, da Band, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse que, se nenhum projeto de reforma da Previdência for aprovado ainda neste ano no Congresso, ele pretende mandar novo texto para o Legislativo no início do ano que vem.

Bolsonaro afirmou ainda que é favorável à extradição do italiano Cesare Battisti – o assunto foi tratado ontem por ele com uma comitiva do governo italiano.

Leia a seguir trechos da entrevista.

Reforma da Previdência
Vamos fazer, propor alguma reforma. Se não for aprovado nada neste ano, no ano que vem vamos propor sim, logo no começo do ano. A primeira proposta feita pelo [atual presidente Michel] Temer (MDB) falava em 65 anos como idade mínima. Não tem cabimento, por exemplo, imaginar que um policial militar esteja na ativa nessa idade. Tem que ter certas especificidades.

Nós temos um contrato com os aposentados, com aqueles em vias de se aposentar, não pode mudar sem levar em conta que tem um ser humano ali, que terá sua vida modificada. Eu tenho falado isso à equipe econômica, às vezes eles pensam só em números. Tem gente falando em CPMF: não existe recriação da CPMF, muito menos de 0,9%. Toda a cadeia produtiva é onerada mais de uma vez, isso aqui vai virar um inferno. Não queremos salvar o estado quebrando o cidadão brasileiro.

Enem e LGBT
A prova do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] foi um vexame, o que ela mede de conhecimento? Só mostra uma doutrinação exacerbada. […] A questão da prova entrou na dialética, na linguagem secreta de gays e travestis… Não tem nada a ver, não mede conhecimento nenhum a não ser obrigar a garotada a se interessar mais por esse assunto. Temos que fazer o Enem cobrar assuntos importantes.

Escola sem partido
Se você, por exemplo, quer debater em sala de aula o PT, tem que ter liberdade para falar do PSDB, do PSL, de outros partidos. O professor não pode usar espaço cativo para doutrinar alunos.

Não entendo dessa forma [como autoritário os alunos gravarem professores em aula]. Eu sou professor de educação física, quando eu dava aula no quartel não tinha celular, mas não teria problema. O professor não tem que se preocupar [se vão gravar], tem que se orgulhar.

Cesare Battisti
Recebi hoje [ontem] uma visita basicamente de cortesia do ministro [embaixador] italiano e mais três representantes deles. O governo do PT, do Lula conseguiu no apagar das luzes que grande parte dos italianos se voltassem contra nós quando decidiu dar status de refugiado ao terrorista Cesare Battisti. Não sou eu que o julgo terrorista, o próprio governo italiano o classifica assim. Mas vai depender do Supremo essa decisão.

Recado aos empresários
Respeito aos contratos, submissão à Constituição e às leis e destravamento na economia. Queremos desburocratizar, desregulamentar, fazer comercio com o mundo todo, sem viés ideológico. Até diminuir a carga tributária – lógico, diminuir com responsabilidade.

Privatizações
Pretendemos privatizar grande parte das estatais, mas não nos livrar de todas, porque há setores estratégicos. Isso está sendo discutido, tem que ver o modelo. A Embraer, por exemplo, quando foi privatizada, adotou-se o modelo de golden share, aquela empresa não pode ser vendida para qualquer outra sem aval do presidente. Isso nós pretendemos adotar em alguns casos.

Transição
Vamos pedir ao presidente Michel Temer alguma colaboração que for possível, por exemplo, para evitar pautas bombas, o que a gente puder aproveitar de uma reforma já proposta, até para a gente pegar o governo o ano que vem com alguma reforma já aprovada.

Retaguarda legal a policiais
Tem que dar carta branca para ele [militar ou policial] se defender se houver confronto. Se nós conseguirmos isso do Parlamento, vamos conseguir inibir a entrada de drogas e armamentos pela fronteira. […] Está na cabeça do policial: se eu atirar eu posso ir para a cadeia, se eu não atirar eu posso ir para o cemitério. Tem que tirar essa dúvida da cabeça dele.

Embaixada em Jerusalém
Todo mundo fala que não devemos nos meter nas decisões dos outros países. Então, se Israel resolveu mudar a capital, eu vou respeitar. Não fui eu que mudei. Nós pretendemos levar isso adiante, como regra tem que respeitar as decisões de outros países.

Assista a entrevista completa de Jair Bolsonaro a José Luiz Datena no Brasil Urgente:

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