Coworking: Escritórios compartilhados no ABC são alternativa para diminuir custos

Por Metro ABC

Alex dos Santos, 31 anos, é gerente administrativo de uma empresa de contabilidade. Já Robson Carlos Teodoro, 35, trabalha como analista de um empreendimento de logística. Mas apesar das diferentes áreas, os dois compartilham o mesmo ambiente de escritório, copa, sala de reunião, recepção e toda infraestrutura do coworking Box Extra, localizado na avenida Rudge Ramos, em São Bernardo.

Essa é a principal finalidade dos escritórios compartilhados, conhecidos popularmente como coworking: unir os mais variados tipos de trabalhadores em um só ambiente. A iniciativa é bem popular em outros países, como Estados Unidos, mas no Brasil ainda caminha a passos lentos, principalmente no ABC, conforme mostra levantamento feito pelo Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) a partir de informações do Censo Coworking Brasil 2017.

Atualmente, a região conta com 12 destes espaços – quatro em São Bernardo, quatro em Santo André, três em São Caetano e um em Mauá. Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra ainda não possuem nenhum ambiente registrado. Em todo o território nacional, são 810 coworkings até o momento, diz o levantamento.

Para Teodoro, que está há 2 meses no Box Extra, o maior benefício do escritório compartilhado é a redução de gastos. “Não temos o custo de manter um armazém, uma portaria e outras contas fixas. Nossa preocupação é chegar, sentar e trabalhar”, explicou.

Na visão de Santos, o coworking também traz o benefício de facilitar o contato com outras áreas, o famoso networking. “Temos um espaço só com cartões dos outros empreendedores que trabalham aqui. Eu, por exemplo, preciso fazer um site e achei aqui dentro mesmo alguém que poderá me ajudar”, disse.

Maurício Marini, 36 anos, é o responsável pelo espaço. A ideia de criar o coworking surgiu em 2016, quando o local funcionava somente como um self storage, modalidade de serviço em que uma pessoa física ou jurídica aluga um galpão individual para utilizar como estoque.

Marini verificou que o escritório compartilhado era uma demanda dos clientes, que queriam ter um setor administrativo ao lado do estoque. A construção do espaço teve investimento de cerca de R$ 350 mil. São 68 postos de trabalho disponíveis no local, com direito a salas individuais.

Ele avalia que o conforto também é algo positivo no coworking. “Os clientes pagam um aluguel que é renovado mensalmente, então não prendemos ninguém aqui, porque a empresa pode crescer e, uma hora ou outra, precisa ter o escritório individual. Eles simplesmente entram com foco no trabalho e deixam o resto com a gente, que é toda a infraestrutura do prédio”, explicou.

Coworking Área de descanso também é compartilhada / Alessandro Valle/Abcdigipress

‘Pessoas ainda não sabem o que é’

De acordo com o professor de administração da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Antonio Aparecido de Carvalho, o número de instalações no ABC está abaixo do esperado para uma região que é tão importante para a economia de São Paulo. De acordo com o docente, Campinas e Florianópolis (SC), por exemplo, possuem mais coworkings que o ABC e conseguem, consequentemente, gerar mais empregos de forma direta e indiretamente.

Responsável pelo estudo sobre o tema na USCS, Carvalho avalia que a região tem poucos escritórios compartilhados porque as pessoas não sabem como o espaço funciona. “Tem cidades que, até agora, não possuem nenhum tipo de coworking aqui (no ABC). Isso se deve justamente porque as pessoas ainda não sabem o que é isso. Primeiro, tem que apresentar para a população, mostrar como funciona e como pode facilitar a nossa vida”, analisa.

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