Governo pode começar com metade da Câmara; veja nova composição do Congresso

Bolsonaro deverá largar com apoio de 11 partidos e terá que seduzir ‘independentes’ como MDB e PSDB para ganhar votações

Por Rafael Neves - Metro Brasília

Uma análise preliminar do novo Congresso, que tomará posse em fevereiro de 2019, indica que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) terá, de início, metade da Câmara dos Deputados em sua base de governo e pouco mais de um terço do Senado.

A estimativa, feita pelo Metro Jornal com auxílio do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), aponta que ele precisará buscar apoio para aprovar emendas constitucionais, por exemplo, que exigem o aval de dois terços nas Casas.

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Na Câmara, a tropa de choque bolsonarista pode começar com 11 partidos que, juntos, somarão 256 deputados. A fila é puxada pelo próprio PSL, que tem 52 nomes e espera atrair parte dos 31 eleitos por partidos que não atingiram a cláusula de desempenho, perderão acesso ao fundo partidário e devem acabar ou fundir-se a outras.

composição da câmara

A base também deverá conter partidos alinhados a Bolsonaro (PRB, PSC e Podemos) e grupos do Centrão (PP, PSD e PR). Há ainda legendas como o DEM, que abriga Onyx Lorenzoni (DEM-RS), principal articulador de Bolsonaro no Congresso desde antes da vitória nas urnas.

A oposição deverá se fixar em cerca de 150 deputados. São os integrantes do PT (que elegeu a maior bancada, com 56 pessoas) e de partidos alinhados à esquerda.

Senado

As duas maiores bancadas do Senado são a do MDB, com 11 membros, e a do PSDB, com 9. Assim como na Câmara, os dois partidos devem ter uma atuação “independente”, e o apoio ao governo dependerá de cada votação.

composição do senado

Análise: Bolsonaro não se livra de negociar

Antônio Augusto de Queiroz, analista do departamento de assessoria parlamentar

Apesar de ter dito, durante a campanha, que governará sem o “toma-lá-dá-cá”, Bolsonaro não se livrará de negociar diretamente com os partidos.

Enquanto candidato ele recebeu o apoio de frentes parlamentares – tais como a da segurança pública e da agricultura, as bancadas da bala e ruralista. Mas esses grupos, além de terem interesses específicos que não significam apoio incondicional a Bolsonaro, não têm maioria nem para suas pautas. Ele terá que recrutar mais articuladores políticos para ter a boa vontade do Congresso.

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