Análise: Religião e WhatsApp na campanha

Por Metro Jornal

Bolsonaro venceu porque conseguiu manter o eleitorado convencido de que ele tem capacidade necessária para recuperar parte das políticas públicas que não estavam sendo desenvolvidas mais da forma como a população espera. O candidato se valeu de um forte discurso nacionalista, patriótico e com um elemento novo, o uso intensivo da religião, falando quase como um emissário divino que fará com que o povo brasileiro encontre a verdade, a Justiça e a liberdade.

O Brasil das últimas décadas havia mantido política e religião como coisas separadas, ou ligadas quase de forma simbólica. Além disso, usou de forma também intensa as redes sociais e o WhatsApp para reforçar o antipestismo e contornar duas das suas maiores debilidades: uma de caráter político, que era a falta de tempo de TV, e outra mais pessoal, que é a sua dificuldade de produzir um discurso qualificado, que muitas vezes escapa da racionalidade.

Já a derrota de Haddad se deve ao erro de estratégia do PT, que manteve Haddad por um tempo excessivo como um candidato em potencial e não oficial, quase aprisionado à figura de Lula, o que o desgastou de maneira exagerada.

Marco Aurélio Nogueira
Professor titular de Teoria Política na Unesp (Universidade Estadual Paulista)

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