'Presidente terá de implementar reformas estruturais', diz diretor do BRICLab da Universidade Columbia

Por Tote Nunes - Metro Campinas

Economista, doutor em sociologia das relações internacionais pela USP, diplomata e diretor do BRICLab da Universidade Columbia (EUA), Marcos Troyjo fez alerta em evento promovido pela regional de Campinas do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças). Disse que o Brasil não vai resistir a um novo estelionato eleitoral. Leia abaixo os principais pontos levantados por ele.

O Brasil corre risco de fracassar no projeto de desenvolvimento?
Os países conseguem decolar quando casam oportunidades externas com estratégias internas. Torço é para que a gente consiga fazer uma leitura inteligente das oportunidades internacionais. O que tem de muito interessante no mundo hoje? Um fenômeno de crescimento da Ásia – com grande população, renda per capita baixa e grande demanda por alimento. Precisamos fazer caixa por meio das exportações e utilizar esses superávits comerciais para modernizar a economia. Além disso, precisamos diminuir o papel do Estado na economia.

Quanto a política atrapalha o crescimento econômico?
Atrapalha e ajuda muito. A Espanha, por exemplo, conseguiu avançar por meio da política, com o Pacto de Moncloa (quando partidos, sindicatos e empresários fecharam acordo para transição entre ditadura e democracia). Agora mais recentemente, o Paraguai é um dos países latino-americano que mais cresce porque fez bom entendimento político. No nosso caso, parece existir disfunção política que é muito causada pela tamanho do estado na economia. Aqui, as pessoas querem saber quem vai dirigir a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa. Vê se isso ocorre nos Estados Unidos, por exemplo? A melhor coisa é o governo sair da frente.

O senhor acha que isso vai ocorrer?
Eu torço para que isso ocorra. O ciclo político está pedindo por mais capacidade do setor privado na economia e menor peso do estado. Caso contrário, vai ser como a Argentina. É o tumulto caótico do mercado que vai levar o país a ter de se modernizar.

Acha que os principais candidatos sinalizam com a adoção desse modelo?
Acho que essas teses vão prevalecer no final. O que o Brasil não conseguiria é abraçar a um novo estelionato político-econômico que seria mais ou menos o seguinte: ser eleito com a promessa de um mundo rosa e que não precisa fazer ajustes importantes e em janeiro ter de adotar medidas duras, como o que aconteceu do 1º para o 2º governo Dilma (Rousseff).

É possível vislumbrar um novo estelionato político?
O que é um estelionato político? Você apresenta série de propostas e no primeiro dia de governo rasga aquilo que foi pactuado. Será que passa pela cabeça de alguém que não precisa fazer reforma tributária, política, da previdência? Se isso não for feito, apenas vai perpetuar situação que já dura muito tempo.

Como analisa a trajetória de Lula?
Houve o Lula de 2002, que prometia reformas. Um Lula que expressava certa modernização do pensamento das esquerdas e buscava maior inserção do Brasil na economia mundial. O Lula de hoje é um sujeito que viu praticamente todo seu círculo mais íntimo e ele próprio envolvidos em corrupção.

Como vê um suposto governo Bolsonaro?
Como é que um governo do Bolsonaro pode não dar errado? Nos EUA, o presidente é comandante das Forças Armadas e, digamos, “diretor presidente do país”. Eu acho que uma Presidência Bolsonaro teria de fazer com que o titular se concentrasse nessa área da segurança pública e da reconstrução da ordem. E terá de endossar as ideias de Paulo Guedes – que seria um superministro.


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