A crise econômica da Argentina em 6 gráficos

Crescem os temores de que a crise argentina se aprofunde - mas o que está por trás da atual turbulência econômica?

Por Andrew Walker e Daniele Palumbo - BBC News

A Argentina está enfrentando mais uma vez uma crise econômica, com forte desvalorização de sua moeda e inflação crescente.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) concedeu um empréstimo emergencial para o país em junho. A trajetória dos indicadores econômicos, contudo, cada vez mais desenha um cenário de recessão.

Tudo isso acontece em meio a um governo que tomou posse, em dezembro de 2015, visto pelo mercado financeiro como uma nova esperança para a Argentina.

Durante sua campanha, o presidente Mauricio Macri defendeu uma política econômica voltada para o mercado, que daria estabilidade ao país e pavimentaria o caminho para reverter um século de desempenho frustrante.

A BBC analisou seis fatores que ajudaram a impulsionar a crise argentina.

Desvalorização do peso

Tem sido ano sombrio para a economia argentina e para o peso.

As moedas de praticamente todos os países emergentes têm perdido valor no decorrer dos últimos meses, devido ao aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.

Isso porque o aperto na política monetária americana torna os títulos públicos do país – que estão entre os mais seguros do mundo – mais lucrativos e estimula investidores em busca de maior retorno e menor risco a transferirem seus recursos para lá.

O peso, contudo, teve queda maior do que qualquer outra moeda neste ano.

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Histórico com FMI

Mais uma vez, a Argentina recorreu ao FMI (Fundo Monetário Internacional) para pedir ajuda financeira em meio à crise.

A instituição concordou em emprestar ao país um total de US$ 50 bilhões.

Acionar a organização é um movimento polêmico, especialmente na Argentina – país com um histórico de pedido de auxílio que remonta ao fim dos anos 1950.

Historicamente, o apoio financeiro vem condicionado à adoção de medidas de austeridade impopulares. Muitos argentinos culparam o FMI por outra grande crise, em 2001.

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Finanças públicas desequilibradas

A perda de confiança entre os investidores internacionais reflete as preocupações sobre se o governo vai conseguir cumprir o cronograma de pagamentos da dívida e levantar os recursos necessários para financiar seus gastos.

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Quando o presidente Macri assumiu o cargo, no fim de 2015, o déficit nas finanças do governo – quanto gasta a mais do que arrecada – era grande. Ele queria reduzi-lo, mas adotou uma abordagem gradual para a reforma econômica.

Há também um déficit crescente no comércio exterior do país – a rigor, em sua conta corrente, que inclui, além da balança comercial, a balança de serviços e rubricas como as transferências de dividendos empresariais.

Esse saldo negativo precisa ser financiado por empréstimos ou investimentos estrangeiros, o que é cada vez mais desafiador em um momento em que as taxas de juros dos EUA estão subindo.

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O déficit se aprofundou neste ano, deixando a Argentina mais suscetível a qualquer fator que possa deixar os investidores mais propensos a retirar seu dinheiro do país.

Inflação galopante

A inflação persistente, que atingiu 30% recentemente, é outro componente da crise na Argentina. A taxa é uma das mais altas do mundo, embora não seja excepcional na história do país.

A inflação ficou relativamente moderada na primeira década dos anos 2000, mas voltou a subir depois disso.

Esse foi um período em que a economia cresceu de forma mais expressiva, especialmente na saída da crise de 2001-2002.

Depois disso, o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto Mas) foi irregular e, mais recentemente, frustrante.

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Há cem anos, a Argentina era mais rica do que muitos países da Europa Ocidental, quando considerado o per capita. Atualmente, tem menos da metade dos índices da França, Alemanha e Reino Unido.

Esse movimento de decadência foi descrito como "uma das histórias mais intrigantes dos anais da história econômica moderna".

Taxas de juros sobem

O Banco Central aumentou de forma acentuada as taxas de juros em um esforço para estabilizar o peso e controlar a inflação.

No último dia 30 de agosto, elevou a alíquota de 45% para 60%.

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Isso é altamente penoso para consumidores e empresas que querem ou precisam pedir dinheiro emprestado.

Mesmo que o socorro financeiro do FMI e as reformas do governo funcionem, parece que a Argentina está, novamente, em um momento turbulento, à medida que busca encontrar um caminho em meio a outra crise econômica.

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