Crianças do ABC são as que passam mais tempo no celular

Por Cadu Proieti - Metro ABC

Crianças do ABC lideram ranking mundial sobre o tempo diário gasto em frente a telas como smartphones e tablets. É o que aponta o Estudo Internacional de Obesidade, Estilo de Vida e Ambiente na Infância, que avaliou os hábitos de jovens entre 9 e 11 anos em 12 países em 2015. No Brasil, a pesquisa foi feita tendo como base de amostragem cerca de 500 meninos e meninas de São Caetano.

Celular crianças O estudante Arthur Loiola adora tecnologia / Alessandro Valle/Abcdigipress

Quem fez o levantamento de dados nacional foi o Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano). O coordenador-científico da entidade, Victor Matsudo, afirma que os adolescentes da cidade ficam cerca de quatro horas e meia em frente às “pequenas telas”. Já a média dos outros países avaliados é de três horas e meia.

O especialista explica que as estatísticas não refletem apenas os dados da cidade, mas de todo o ABC e da Grande São Paulo. “É praticamente a realidade dos jovens da cidades da região metropolitana”, afirma.

As crianças de São Caetano superaram o tempo de uso de dispositivos eletrônicos dos garotos e garotas dos Estados Unidos, África do Sul, Finlândia, Reino Unido, Colômbia, Austrália, Canadá, Portugal, Quênia, China e Índia – o ranking é exatamente nesta ordem decrescente. “É bom que fique claro que estamos comparando com países desenvolvidos, onde a introdução da tecnologia é grande também”, afirma Matsudo.

Segundo o especialista, o fato de os jovens estarem muito tempo conectados está diretamente ligado ao aumento do sedentarismo entre eles. “Um alerta que faço é: se continuar do jeito que está, esta será a primeira geração que pais vão enterrar filhos e não o contrário. Os jovens estão fazendo cada vez menos atividades físicas e isso aumenta o risco precoce de doenças, como as cardiovasculares.”

O que fazer

Para mudar este cenário, Matsudo diz que é necessário as escolas mudarem o perfil das aulas de educação física. “É importante deixar claro para esses jovens que a inatividade pode causar sérios problemas à saúde. Então, não é só dar aulas de basquete, futebol, vôlei, mas tem que estimulá-los a ter uma rotina de atividade física.”

Segundo o especialista, outro fator importantíssimo é o incentivo dentro de casa. “Há dados que mostram que se a mãe é ativa, dobra a chance de o filho também ser. Se o pai pratica esportes, a chance é três vezes maior de o filho seguir esse caminho. Se mãe e pai são ativos, aumenta em 5,8 vezes a possibilidade de a criança ser também. Não adianta colocar o filho em uma aula de esporte se os pais não praticam nada, não dão o exemplo”, comentou.

artcel

Cenário geral

O sedentarismo no ABC não cresce somente entre os jovens. Pesquisa do Celafiscs mostra que de 2008 para 2017, últimos anos em que o estudo foi feito, a quantidade de pessoas da região que não praticam nenhuma atividade física ou praticam abaixo do recomendado pelos médicos (ao menos 30 minutos diários) subiu de 13,6% para 25,1%. Já o número dos que são ativos ou muito ativos caiu de 86,4% para 74,9% na comparação entre os dois anos citados.

Matsudo aponta três fatores para o aumento da quantidade de sedentários: uso excessivo de smartphones e tablets, falta de investimento do poder público em áreas para prática esportiva e maior sensação de insegurança, que impede os moradores de saírem nas ruas para fazer exercícios.

Enquanto garoto joga, idoso pratica exercícios em parque

Idoso exercício Alessandro Valle/Abcdigipress

Uma cena presenciada pela reportagem do Metro Jornal no Espaço Verde Chico Mendes, em São Caetano, exemplifica os dados levantados pela pesquisa internacional. Enquanto o estudante Arthur Loiola, 11 anos, estava na área de lazer para jogar no celular, o aposentado Vagner Ambrósio, 61 anos, praticava exercícios com o objetivo de cuidar da saúde.

Mãe de Loiola, a assistente de farmácia Roberta Dacioli, 42 anos, afirma que o filho adora tecnologia. No entanto, ela garante que impõe regras para o jovem utilizar o celular. “Temos um controle e procuramos regular o tempo que ele passa no celular. Ele fica, no máximo, duas horas por dia”, disse.

O estudante explica que gosta dos jogos e também dos exercícios. “Faço judô, futebol e academia”, afirmou.

Já o aposentado começou a praticar exercícios há cerca de dois anos após conselhos de amigos. Ele frequenta o parque três vezes por semana para correr e realizar alongamento, abdominal e outras atividades. “Percebi que a minha saúde melhorou bastante. Emagreci sete quilos, além de me sentir melhor e mais disposto no dia a dia”, relatou Ambrósio.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo