1968: Os 50 anos daquele que (ainda) não terminou

Movimento hippie, guerra do Vietnã e protestos por todos os lados fizeram de 1968 um ano cheio de efemérides importantes, que certamente devem aparecer em questões de vestibulares e do Enem

Por Metro Jornal

Você sabe qual a relação entre a Guerra do Vietnã, a Olimpíada no México e as manifestações estudantis em Paris? Todas aconteceram em 1968, ano que ficou marcado por esses e muitos outros acontecimentos, que mudaram o rumo da história no Brasil e no mundo.

E muitos desdobramentos desses fatos ainda são sentidos nos dias atuais. Por isso, o cinquentenário desses eventos faz deles temas “quentes” e certeiros para os vestibulares. Já apareceram em provas no meio do ano, como na da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

A convite do Metro, o professor de história Rodolfo Neves, do Sistema de Ensino Poliedro, selecionou alguns fatos marcantes de 1968, com chances de aparecerem em questões dos processos seletivos que já estão por vir. Ainda dá tempo para ler um bocado e se inteirar sobre o assunto.

Cinco fatos que agitaram 1968

  • Passeata dos 100 mil
    Não há números oficiais, mas o protesto contra a ditadura militar que aconteceu no Rio de Janeiro em 26 de junho de 1968, mais precisamente na Cinelândia, ficou conhecida como a passeata dos 100 mil. Estima-se mesmo algo em torno disso na manifestação, a maior registrada naquele período, que reuniu estudantes, intelectuais e políticos. Mas apesar do volume, nenhuma das reivindicações foi aceita. E em outubro 400 estudantes seriam presos em um congresso clandestino em Ibiúna, no interior de São Paulo.
  • Assassinato de Martin Luther King
    A morte do ativista negro, em 4 de abril de 1968, o pastor protestante Martin Luther King, uma das principais lideranças na luta pelos direitos civis nos EUA, levou ao recrudescimento e acirramento das tensões raciais no país. O fato pode servir de gancho para que vestibulares avaliem os conhecimentos dos alunos a respeito de questões atuais, como as políticas afirmativas (com foco em inclusão de minorias), os protestos contra o racismo na era Trump, que ocorreram recentemente em partidas de futebol americano, ou ainda sobre o movimento Black Lives Matter (Vidas dos Negros importam), criado nos EUA após casos de violência policial contra negros.
  • Maio na França
    O que começou como um movimento estudantil contra algumas regras, acabou se expandindo e em pouco tempo tomou conta da sociedade francesa durante todo o mês de maio, lembra o professor Rodolfo Neves. “O movimento que aconteceu na França tem grandes semelhanças com as manifestações que tomaram conta do Brasil em 2013. Segundo ele, as insatisfações daquela época são bem parecidas com alguns temas da juventude de hoje.
  • Ato Institucional nº 5
    O AI-5 (Ato Institucional nº 5), de 13 de dezembro de 1968, editado pelo então presidente Arthur da Costa e Silva marca o início dos “anos de chumbo”, ou seja, a fase mais dura da repressão durante a ditadura militar no país. A partir do decreto, o Congresso Nacional foi fechado, as garantias individuais suspensas, resultando na perseguição e tortura de milhares e na morte de centenas de brasileiros. E o cinema, a música, o teatro e, principalmente, os órgãos de imprensa passam a sofrer censura prévia.
  • Jogos Olímpicos no México
    Os Jogos Olímpicos em 1968, realizados entre 12 e 27 de outubro, além da importância para o movimento negro por causa dos, até então, inéditos protestos raciais, foram marcados ainda por diversas manifestações políticas e por uma enxurrada de críticas devido à conjuntura econômica desfavorável. “Esse tema volta à tona esse ano, pois além da efeméride, o Brasil passou por situações parecidas na Copa de 2014 e nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016”, analisa o professor.

Cultura fora da curva

São diversos os temas que fazem de 1968 um dos anos mais emblemáticos da história. No campo da cultura, a efervescência também deu o tom e por aqui ela se cristalizou no movimento chamado Tropicália, capitaneado pelos artistas Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Tom Zé, e marcado pelo lançamento do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”. Em resumo, pode ser definido como o ponto fora da curva no arco histórico daqueles anos na música brasileira.

Apesar de seu teor crítico, não se assemelha às canções de protesto da época, também se distancia da bossa nova, passa longe da jovem guarda e abraça influências do rock estrangeiro, em especial das vertentes mais contraculturais e psicodélicas, além de reverenciar sonoridades que não andavam lá muito em alta naqueles dias agitados, como o bolero, por exemplo.

Três livros para mergulhar no tema

  • “68 – Como Incendiar um País”
    Barricadas, carros incendiados, universidades ocupadas. O livro “68 – Como Incendiar um País”, da coleção “Baderna” (editora Veneta) reúne um explosivo material gráfico utilizado nos protestos franceses de maio: cartazes, folhetos e histórias em quadrinhos.
  • “1968 – Quando a Terra Tremeu”
    A abordagem do jornalista Roberto Sander em “1968 – Quando a Terra Tremeu” (Editora Autêntica), vai além dos fatos políticos. A narrativa avança mês a mês, abordando assuntos que vão da Guerra do Vietnã à primeira visita de Mick Jagger ao Brasil.
  • “1968 – O Ano Que Não Terminou”
    O livro “1968 – O Ano Que Não Terminou” (editora Objetiva), do jornalista Zuenir Ventura conta como transcorreu por aqui o emblemático ano, sob a ditadura militar que se estabeleceu a partir de 1964 e a dura repressão que ela impôs.
livros 1968
Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo