Idoso preso na Rússia com ayahuasca será transferido ao Brasil após 2 anos na cadeia

Eduardo Chianca Rocha, de 68 anos, usava a bebida nos cursos que ministrava de uma terapia chamada 'Frequência de Luz'. Ele foi condenado por tráfico de drogas em 2016.

Por BBC Brasil

Depois de passar dois anos preso na Rússia, o terapeuta e professor Eduardo Chianca Rocha, de 68 anos, vai poder cumprir o restante de sua pena – cerca de um ano – no Brasil.

A Justiça da Rússia autorizou a transferência do paraibano, preso e condenado por tráfico de drogas em território russo.

Em agosto de 2016, ele foi detido no aeroporto em Moscou com garrafas de ayahuasca, bebida utilizada tradicionalmente em rituais indígenas. Apesar de ter o uso autorizado no Brasil para cerimônias religiosas, o ayahuasca é proibido na Rússia e em outros países por conter substâncias alucinógenas.

"Algumas formalidades ainda precisam ser observadas, mas esperamos que em um mês ele já estará de volta ao Brasil", afirmou o advogado Eduard Usikov à BBC News Russia.

As autoridades russas permitiram que ele cumprisse o restante da pena no Brasil. Rocha foi condenado inicialmente a seis anos e meio de prisão. Depois, a sentença foi reduzida a três anos. No tribunal, ele disse que não sabia que o chá não poderia ser usado na Rússia.

"Ele vai ser enviado para lá apenas para cumprir a sentença. No Brasil (o ayahuasca) é legalizado, mas pela decisão da corte russa não há dúvida. É uma substância que contém DMT (dimetiltriptamina), um narcótico", explicou o advogado ao serviço russo da BBC.

A pedido do Ministério da Justiça brasileiro, o Instituto Nacional de Criminalística chegou a produzir um parecer técnico que foi usado pela defesa de Rocha. O laudo questionava o resultado da perícia russa e o método usado para avaliar a presença de DMT, mas não foi aceito pelo tribunal.

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A transferência para o Brasil havia sido solicitada pelo próprio terapeuta, por seus familiares e pelo Ministério de Relações Exteriores. Até o presidente Michel Temer interveio. Em outubro de 2016, durante um jantar de abertura de um encontro dos BRICS na Índia, o presidente pediu à delegação russa que reavaliasse o caso do brasileiro.

Memórias do cárcere

Rocha foi condenado em maio de 2017 pelo Tribunal de Justiça da cidade de Domodedovo. Ele foi levado para uma prisão na região de Saratov, onde, sem falar russo, manteve contatos apenas com os presos que falavam inglês.

Na prisão, o brasileiro começou a escrever um livro de memórias. "Eu acho que ele vai publicá-lo em um futuro próximo. Talvez fique ainda mais famoso ", disse Usikov.

Morador do Recife (PE), ele ministrava cursos e palestras de uma terapia chamada "Frequências de Luz", que usava o chá de ayahuasca. Quando foi preso na Rússia, Rocha estava em uma "turnê internacional".

A família chegou a lançar uma campanha na internet para ajudar a pagar pela defesa na Rússia.

"Ele foi preso e injustamente condenado na Rússia por tráfico de entorpecentes, por portar o chá indígena ayahuasca que levava em sua bagagem para uso pessoal. Pedimos apoio para financiar os custos com sua defesa", diz o texto do site organizado pela mulher de Rocha, Patrícia Junqueira.

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