Os trechos mais explosivos de aguardado livro sobre Trump

Bob Woodward, um dos jornalistas mais conhecidos dos EUA, descreve um governo sob 'colapso nervoso'.

Por Anthony Zurcher - Repórter da BBC News para a América do Norte

Livros reveladores escritos pelo jornalista Bob Woodward têm sido uma espécie de rito de passagem para presidentes do país. Agora, é a vez de Donald Trump ser colocado sob o microscópio.

Woodward fez seu nome revelando o envolvimento do ex-presidente Richard Nixon no escândalo do Watergate. Agora, ele descreve o governo do republicano como uma administração em "colapso nervoso do poder executivo".

Defensores de Trump dirão, não sem razão, que Woodward representa o establishment de Washington contra o qual o presidente está lutando.

Também é verdade, no entanto, que o jornalista tem acesso incomparável aos corredores do poder. Na capital americana, é como um consenso a ideia de que é melhor falar com o repórter do que deixar de fazê-lo – uma vez que colegas, e no pior dos casos inimigos, estão dando a ele o seu lado da história.

A Casa Branca e o próprio presidente têm classificado o livro como um conjunto de "histórias fabricadas" por "ex-funcionários insatisfeitos".

"É apenas mais um livro ruim", disse Trump ao site Daily Caller durante uma entrevista, acrescentando que Woodward "tem muitos problemas de credibilidade".

A previsão é que o livro seja lançado nos Estados Unidos na próxima semana, mas trechos aos quais alguns jornalistas tiveram acesso dão pistas do que vem por aí.

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'Eu posso fazer isto parar. Vou apenas retirar o papel da mesa dele.' – Gary Cohn

Woodward descreve várias ocasiões em que funcionários do alto escalão do governo Trump – o ex-conselheiro econômico titular Gary Cohn e o ex-secretário da Casa Branca Rob Porter, em particular – removeram documentos da mesa do presidente para impedir que Trump os assinasse.

Tudo fazia parte de um esforço para blindar a administração e o país do que os funcionários viam como os impulsos mais perigosos do presidente. Caso tivessem recebido a firma de Trump, alguns documentos poderiam ter levado à retirada dos EUA do Acordo de Livre Comércio da América do Norte e de um acordo comercial com a Coreia do Sul. Com as atitudes de sua equipe, o país acabou se comprometendo a renegociar estes pactos.

Woodward classifica estes atalhos para contornar Trump como "nada menos que um golpe de Estado administrativo".

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'Não testemunhe.' – John Dowd

Em 27 de janeiro, de acordo com Woodward, o advogado pessoal do presidente, John Dowd, encenou uma entrevista com Trump para mostrar que, se o republicano se dispusesse a falar com o procurador especial Robert Mueller e sua equipe, as perspectivas seriam desastrosas. Mueller faz parte do conselho que investiga se Trump recebeu ajuda do governo da Rússia na campanha eleitoral.

Não deu certo, pois o presidente ficou cada vez mais frustrado com a intensidade da sabatina simulada – a certa altura, chamou a investigação de "farsa".

Dowd teria então indo ao encontro de Mueller – a quem teria dito não concordar com a proposta de um testemunho pois não queria ver o presidente "parecer um idiota" e envergonhar a nação.

Quando, mais tarde, houve indícios de que Trump havia mudado de ideia e iria testemunhar, Dowd renunciou.

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'Vamos matá-lo. Vamos entrar.' – Donald Trump

Segundo Woodward, uma das fontes de considerável insatisfação entre a equipe de Trump era o potencial impacto de seus impulsos na política externa.

Depois que os EUA passaram a acreditar, em abril de 2017, que o governo sírio pudesse ter lançado outro ataque químico, Trump disse ao secretário da Defesa, James Mattis, que assassinasse o presidente Bashar Assad.

"Vamos matá-lo", disse o republicano, segundo o livro.

Depois do diálogo, Mattis teria dito a um assistente que não faria "nada daquilo".

Woodward diz que funcionários também ficaram preocupados quando o presidente ordenou planos para um ataque militar preventivo contra a Coreia do Norte durante o auge de sua rivalidade com Kim Jong-un. O presidente também humilhou generais em relação à guerra no Afeganistão, dizendo que soldados "no terreno" poderiam ter feito um trabalho melhor.

"Quantas mais mortes?", ele perguntou. "Por quanto tempo mais estaremos lá?"

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'Mentiroso profissional.' – Gary Cohn

Woodward pinta um retrato de uma equipe da Casa Branca constantemente abatida e menosprezada por um presidente temperamental.

Quando o então conselheiro econômico da Casa Branca, Cohn, tentou renunciar depois que o presidente fez comentários simpáticos aos nacionalistas brancos que se manifestaram violentamente em Charlottesville em 2017, Trump o acusou de "traição".

Cohn, de acordo com Woodward, via o presidente como um "mentiroso profissional".

Trump também disse ao secretário de Comércio, Wilbur Ross, que não confiava nele.

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"Não quero que você faça mais negociações", teria dito o presidente. "Você já passou do seu auge."

Ele também teria comparado seu primeiro chefe de gabinete, Reince Priebus, a um rato. "Ele apenas fica perambulando por aí."

Quanto ao procurador-geral Jeff Sessions, que o presidente criticou publicamente, o republicano foi ainda mais depreciativo.

"Esse cara é mentalmente retardado", disse Trump a um secretário, segundo Woodward. "Ele é um sulista idiota. Ele nem poderia advogar para uma pessoa no Alabama".

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'Oficina do diabo.' – Reince Priebus

Se o presidente foi abusivo em relação à sua equipe, parece que os funcionários encontram alguma medida de vingança no livro de Woodward, que está repleto de citações ácidas sobre o presidente.

O chefe de gabinete, John Kelly, repetidamente chamaria Trump de "idiota" e diz ser "inútil tentar convencê-lo de qualquer coisa". Segundo o livro, o secretário de Defesa, Mattis, disse a um assessor que o domínio do presidente de temas de política externa seria como o de um aluno de "quinta ou sexta série".

O antecessor de Kelly, Reince Priebus, descreve a suíte presidencial como "a oficina do diabo", onde Trump dispara tuítes intempestivos no início da manhã e nos finais de semana.

O relacionamento de Trump com Rex Tillerson supostamente nunca se recuperou depois de notícias de que, em uma ocasião, o ex-secretário de Estado chamou o presidente de "idiota".

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'Ninguém me falou sobre isso, e eu adoraria ter falado com você. Você sabe que sou muito aberto a você. Acho que você sempre foi justo.' – Donald Trump

Em uma prévia do que certamente será uma furiosa reação da Casa Branca ao livro, o jornal Washington Post divulgou uma gravação de áudio e a transcrição de uma ligação que o presidente fez a Woodward no início de agosto. Nele, o presidente alega que nunca foi contatado para uma entrevista ou informado sobre o trabalho que será publicado em breve por Woodward – uma afirmação que o repórter refuta com veemência.

Trump faz várias tentativas de conduzir a conversa na direção de suas conquistas na política externa e na economia.

"Ninguém nunca fez um trabalho melhor do que eu como presidente", diz ele. "Isso eu posso te dizer."

Woodward diz que, através de entrevistas, conseguiu reunir muitas informações e documentação – e que seu livro seria um "olhar duro sobre o mundo, sua administração e você".

"Suponho que isso signifique que será um livro negativo", responde o presidente.

Woodward conclui a ligação dizendo: "Acredito em nosso país e, como você é nosso presidente, te desejo boa sorte".

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