Datena entrevista Michel Temer sobre crise migratória e intervenção militar no Rio

Por Metro Jornal

O presidente da República, Michel Temer, conversou na quinta-feira (31) com o jornalista e apresentador José Luiz Datena sobre a crise dos venezuelanos no estado de Roraima e também esclareceu a polêmica das senhas, uma sugestão para controlar a entrada dos imigrantes do país vizinho no Brasil. A íntegra da entrevista exclusiva vai ao ar no programa Agora é Domingo, da Band, às 15h. Leia abaixo alguns dos trechos da entrevista.

A crise em Roraima

O que aconteceu há poucos dias foi o seguinte. Quando nós nos reunimos, eu e os ministros, para mais uma vez examinarmos a questão de Roraima, concluímos, primeiro, que deveríamos colocar lá a chamada GLO (Garantia da Lei da Ordem): você manda as Forças Armadas para as áreas de fronteira e para rodovias federais. Mas um segundo ponto é que era preciso disciplinar um pouco a entrada. Por que disciplinar? Pelo seguinte: há venezuelanos que só vêm para cá para comprar remédio, alimento e voltam.

Então, isso significa uma espécie de senha. A grande maioria (dos imigrantes), 60%, praticamente, volta. E o restante fica aqui. Você não pode ter 800 entrando de uma vez, mil entrando de uma vez. Então, vamos disciplinar: entram 200 ou 300 de cada vez. Mas essa é uma questão administrativa, nem foi decisão minha.

Fechamento da fronteira

(Depois do episódio das senhas) O interessante é a imprensa: “Temer vai fechar a fronteira”. Eu tenho dito que isso é incogitável, inegociável. Jamais fecharíamos a fronteira por causa dos aspectos humanitários.

Intervenção federal no Rio

Os dados são impressionantes. O percentual de roubo de carga, o percentual de homicídios, o percentual de furtos caíram brutalmente, 20%, 30%. Ele (o general interventor Braga Netto) me explicou muito bem. Os primeiros dois, três meses, foram, na verdade, de organização. Eu o nomeei e ele teve que se organizar para combater equívocos administrativos, para se organizar administrativamente. Então, a intervenção (iniciada em 16 de fevereiro) tem, praticamente, três ou quatro meses de uma função, digamos, executória.

Reajuste do funcionalismo

Essa matéria vem sendo debatida há muito tempo: auxílio-moradia e aumento do teto. Há dois anos, logo depois que assumi o governo, estava no Senado Federal um projeto para fixar o novo teto. Naquela ocasião, eu confesso que segurei lá no Senado para que não fosse aprovado, para que não fosse nem sequer votado, e votado não foi. Agora, neste momento, o Judiciário tem um Orçamento próprio, em face da autonomia dos Poderes. Ele organiza o seu Orçamento e nós somos obrigados a remeter o Orçamento que o Judiciário montou. Mas agora, quando veio o Orçamento do Judiciário, com o aumento do teto e com o auxílio-moradia, eu me reuni com ministros do Supremo e disse: “Olha, não dá para fazer as duas coisas, tem que eliminar o auxílio-moradia para cogitar o aumento do teto, desde que o teto seja equivalente ao auxílio-moradia”.

Os técnicos estão examinando esse primeiro ponto. O segundo ponto, eu disse: “Se nós acertarmos isso aqui, é claro que isso vai alcançar toda a Justiça Federal, mas tem a Justiça Estadual. Então, os senhores têm que reunir os presidentes dos Tribunais de Justiça estaduais, tem um colégio de presidente dos tribunais estaduais, e dizer que, para dar o teto, também eles têm que eliminar o auxílio-moradia”. Daí não há modificação, digamos, numérica orçamentária. É isso o que nós estamos fazendo.

Caso JBS

Atrapalhou o país, né? Claro, atrapalhou a mim porque aí começou um combate de natureza moral, que é o que mais me afeta. O debate político, este eu estou acostumado. Isso foi fruto de uma trama, eu tenho absoluta convicção nisso. Desde o começo, quando saiu a tal gravação, eu denunciei um fato de um procurador que estaria conectado com o procurador-geral e este procurador, menos de um ano depois, acabou sendo denunciado pela própria Procuradoria-Geral da República, este é o primeiro ponto.

O segundo ponto é que aqueles grampeadores, que vieram me grampear, me gravar, foram presos. A trama toda começou a se desfazer. Foi uma trama bem urdida que acabou dando nisso. Você viu que impediu a reforma da Previdência e impediu a simplificação tributária, que eram dois temas, juntamente com a reforma trabalhista, a reforma do ensino médio e o teto dos gastos públicos e a moralização das estatais.

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