Água da represa Billings está pior do que se imaginava

Por Cadu Proieti - Metro ABC

As aparências enganam. Esse dito popular resume bem a situação da represa Billings.

Estudo inédito da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) mostra que vários pontos do reservatório apresentam condições aceitáveis de água, mas no fundo concentram metais pesados e diversos tipos de bactérias.

A pesquisa fez coleta em 164 pontos de superfície e 50 de fundo. Quem retira as amostras é o ecoesportista Dan Robson, que desde 2010 faz expedições na represa para avaliação da água em parceria com a instituição de ensino superior da região e neste ano começou a utilizar uma garrafa especial que chega até a parte de baixo do reservatório. Foram coletados, entre abril e maio, materiais do fundo do reservatório em Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Santo André, Diadema, São Bernardo e São Paulo. Do total analisado, nenhum apresentou boa ou ótima qualidade – oito eram regulares, 12 ruins e 30 péssimas.

Foram encontradas bactérias de 12 grupos diferentes que até então não tinham sido achadas, entre elas espécies de decomposição de matérias orgânicas. Porém, o que mais chamou a atenção foram 8 grupos de bactérias causadoras de doenças de pele e gastrointerites em caso de contato com a água. “Mesmo em áreas que a superfície estava com qualidade boa ou regular, o fundo apresentou qualidade ruim ou péssima”, diz o resumo do estudo.

Para a professora da USCS e responsável-técnica da pesquisa, o resultado das novas coletas surpreendeu. “Chegamos a um lodo que a gente não tinha noção de como era. No laboratório, encontramos muita coisa. O que me assustou é que na superfície eram achadas três ou quatro espécies de bactéria, e encontramos o triplo disso no fundo.” Outra grande preocupação foi que a parte de baixo da represa também apresenta concentração muito grande de metais pesados.

“A pesquisa revelou ferro, chumbo, zinco, cádmio. Este último pode causar câncer”, alertou Marta. A quantidade de lodo depositado no fundo do reservatório também foi considerada “absurdamente grande”. A pesquisa aponta que alguns pontos chegam até quatro metros desse tipo de material. “Fica o alerta. A gente faz o estudo, mas é preciso manutenção e cuidados no reservatório, e isso é papel do poder público.

O grande problema é que existem planos, como o hidroanel ou implantação de dutos, que podem fazer grandes movimentações na represa. Toda vez que você mexer no fundo, tudo isso sobe para a superfície. Como a Sabesp faz captação de água na parte de cima, obviamente pode afetar a parte de abastecimento da população”, afirmou a professora.

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