Incêndio na Grécia: O irlandês em lua de mel que perdeu a vida em balneário

Onda de incêndios é a maior no país em uma década; sobreviventes descrevem nuvens de fumaça e corrida para o mar na tentativa de escapar das chamas.

Por BBC Brasil

Um irlandês recém-casado que estava em lua de mel morreu nos incêndios florestais que já mataram pelo menos 80 pessoas e deixaram outras 150 feridas na Grécia.

Brian O'Callaghan-Westropp e sua esposa, Zoe Holohan, se separaram tentando escapar do fogo no balneário de Mati, na região de Ática, que engloba toda a parte sul da península em que fica a capital grega, Atenas.

Essa onda de incêndios – que começou há cerca de dois dias, segundo a Cruz Vermelha – é a pior no país em mais de uma década.

Em um comunicado, as famílias de ambos disseram estar "muito tristes" com sua morte e pediram privacidade "enquanto Zoe se recupera".

Na terça-feira, os corpos de 26 adultos e crianças que aparentemente morreram abraçados foram encontrados no topo de um penhasco.

"Eles tentaram encontrar um rota de fuga, mas, infelizmente, essas pessoas e seus filhos não conseguiram. Por instinto, perto do fim, eles se abraçaram", disse o chefe da Cruz Vermelha na Grécia, Nikos Oikonomopoulos.

Os corpos foram encontrados no concorrido balneário de Mati, 40 km a leste de Atenas.

'Parecia um filme de Hollywood'

Giannis Labropoulos estava dirigindo de Patras para Atenas quando se viu em meio ao incêndio.

"Não conseguíamos enxergar mais de 20 metros adiante, mas, de repente, sentimos o calor e vimos o fogo. Eu pensei: 'Isso não pode estar acontecendo"", disse à BBC News.

"Galhos e escombros atingiam o carro. O poder do fogo e o calor intenso eram uma coisa que não quero sentir nunca mais."

Argyro Moustaka Brettou estava a três quilômetros do vilarejo de Mati – o mais atingido pelas chamas -, onde mora. Mas seus dois filhos pequenos estavam em casa, com sua mãe, de 65 anos, e sua tia, de 75 anos.

"Eu vi que um incêndio novo tinha começando na montanha logo acima de onde vivemos. Liguei para avisar a minha mãe", relembra,

"Cinco minutos depois dessa ligação, o fogo tinha se espalhado para todo lugar – toda a região de Mati estava em chamas. Parecia um filme de Hollywood. Nunca vi nada parecido."

Segundo Argyro, sua mãe disse ao telefone que já não conseguia respirar bem por causa da fumaça. Outro parente foi até a casa buscar as duas crianças, por precaução.

"Minha mãe e minha tia ligaram de novo para dizer que nosso jardim estava pegando fogo. Ela e minha tia gritavam que seriam queimadas vivas", diz.

Ela tentou voltar para casa, mas as estradas estavam congestionadas. "Eu liguei e disse a elas que fossem para a rua, pedissem ajuda."

Um homem cuja casa também tinha sido incendiada passou naquele momento de carro e resgatou as duas idosas.

"Eu fiquei sem bateria no meu telefone. Fiquei um tempo sem saber se minha mãe tinha conseguido sair e se meus filhos estavam seguros. Só consegui vê-los na manhã seguinte. As horas de espera foram um inferno", conta a grega.

Ela afirma que a família, no momento, não tem para onde ir e não tem dinheiro para começar de novo.

"Mas nós temos sorte. Estamos vivos e nossos filhos estão com saúde."

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'Catástrofe bíblica'

George Vokos, morador de Mati, compara os incêndios a uma "catástrofe bíblica" depois que duas pessoas morreram em seus braços.

"Duas mulheres perderam a vida em minhas mãos. Eu perdi dois carros para o fogo e minha casa também foi parcialmente queimada", afirma.

"Graças a Deus minha família está a salvo. Corremos para o mar para nos salvar."

Olivia Exarchakou, de 19 anos, é uma estudante de Atenas. Dois amigos de sua família morreram nos incêndios.

Segundo ela, a fumaça era visível nos telhados da cidade, passando pelas ruínas da Acrópole. O vento estava tão forte que almofadas voaram das varandas para a rua.

"Conheço duas pessoas que morreram nos incêndios. Uma delas não teve tempo de sair de casa, por causa da velocidade com que o fogo espalhou", diz.

"Outra amiga da família morreu na praia. Ela foi encontrada dentro da água."

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Supermercados distribuíram caminhões de água

A britânica Catherine Hooper viaja para Grécia regularmente e fica perto da área afetada.

"Fico a cerca de 20 quilômetros, do outro lado da cadeia montanhosa que o incêndio atingiu", descreve.

"Mesmo lá o ar está prejudicado. Uma nuvem de fumaça está sobre Atenas e os supermercados estão distribuindo caminhões cheios de água."

De acordo com Hooper, inúmeros helicópteros dos bombeiros passam pela região.

"Ontem à tarde ventou muito forte, o que fez o fogo se espalhar rapidamente pela encosta da montanha. Os relatos foram de que muitas pessoas correram para a praia tentando escapar."

"Muitos entraram no mar, mas as cinzas quentes e os escombros que voavam fizeram com que muitos tivessem que nadar para longe", afirma.

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