Metade dos poluentes em São Paulo vem de ônibus e caminhões

Por Metro Jornal

Estudo coordenado por físicos da USP (Universidade de São Paulo) mostrou que cerca de metade dos poluentes encontrados na atmosfera de São Paulo é emitida por veículos movidos a diesel, especialmente ônibus e caminhões. Os pesquisadores consideraram o resultado muito alto, levando em conta que esses veículos representam 5% da frota da cidade.

O estudo identificou que, no período analisado, eles foram responsáveis por 40%  da concentração atmosférica de benzeno, 30% do monóxido de carbono e  47% do carbono negro, respectivamente – esse último é o que provoca a fumaça preta observada em escapamentos.

As amostras de ar foram colhidas no centro de São Paulo por três meses, na primavera, um período relativamente chuvoso e de pouca poluição, em 2013.

“A estimativa da emissão de poluentes de cada tipo de veículo é feita geralmente baseada em valores medidos em laboratório e multiplicados pelo número de veículos nas ruas”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e um dos autores do estudo.

O problema dessa metodologia, segundo ele, é que ela não avalia os efeitos no dia a dia, com a condução e manutenção dos veículos. Artaxo destaca que adaptar filtros nos escapamentos de ônibus poderia reduzir em até 95% a emissão de poluentes desses veículos.

O estudo foi publicado na segunda-feira pela revista internacional Scientific Reports, do grupo Nature.

E a poluição é um problema de saúde pública: outro estudo da USP, do ano passado, mostrou que cerca de 11 mil pessoas morrem por ano em decorrência dos efeitos dela.  

Só 1,5% da frota não é a diesel

Só 1,5% da frota de ônibus da cidade é abastecida por combustíveis não fósseis. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, dos 14.447 ônibus em operação, 201 são trólebus (elétricos), 10 são movidos a etanol e um a bateria, em teste.

Uma lei de 2009 previa a troca de toda a frota de ônibus até este ano por veículos que não fossem movidos a combustíveis fósseis. Ela não foi cumprida, e uma nova lei, sancionada em janeiro, estipulou metas de redução de emissões de poluição pelos ônibus, em até 20 anos, de acordo com o tipo de poluente.

A secretaria disse, em nota, que a meta de redução da emissão de poluentes pela frota “está em conformidade com legislação municipal sobre mudanças climáticas”.  

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