Governo quer avaliar nova alta da mortalidade infantil

Por Rafael Neves - Metro Brasília

O Ministério da Saúde reconheceu que o Brasil registrou, em 2016, o primeiro aumento na taxa de mortalidade infantil do país desde 1990. O número, que caiu 71,7% no período (de 47,1 mortos até 1 ano para cada mil nascidos vivos em 1990, o país chegou a 13,3 em 2015), subiu 4,8% em 2016.

Os dados de 2017 não estão fechados, mas o ministério reconhece a possibilidade de ter havido um novo aumento. Para o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), algumas razões para o aumento estão não na esfera da saúde em si, mas na econômica. “A crise impacta em coisas básicas, como uma família não poder pagar a passagem para levar a criança à unidade de saúde, ou não poder comprar o medicamento que foi receitado.

Sem falar em fatores graves, como a subnutrição”, avalia Vitor Manoel Jesus Mateus, secretário da Saúde do Pará e vice-presidente do Conass. Entre os motivos ligados diretamente à saúde, Mateus destaca a cobertura vacinal, que está abaixo da meta governamental em mais de um quarto dos municípios do país. “Esse é um dos programas que já estavam consolidados na rede básica brasileira, e teve algumas recaídas”, reconhece o secretário.

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O Conselho terá, segundo ele, uma reunião ainda neste mês para avaliar a questão.

Justificativa

O ministério admitiu preocupação com o “repique” no índice em 2016, mas afirmou que a alta de 4,8% “não caracteriza aumento significativo dessa taxa ou mudança da tendência de redução da mortalidade infantil”.

Para o ministério, os números devem ser relativizados, porque o Brasil teve, em 2016, uma redução no número de nascimentos devido ao vírus zika. A epidemia fez com que os 3.017.668 nascimentos no país em 2015 caíssem para 2.857.800 no ano seguinte, uma queda de 5,3%. Como a taxa de mortalidade é calculada sobre o número de nascidos vivos, a redução inesperada na natalidade “afetou o cálculo da taxa”, de acordo com o ministério.

A pasta também lembra que Brasil alcançou, em 2013, a meta do milênio de redução de dois terços da mortalidade infantil.

Ações

Apesar de minimizar o aumento, o governo afirma estar tomando medidas para avaliar o quadro da saú- de no país. “Foi criado, inclusive, um grupo de trabalho com acadêmicos para avaliar as causas desse repique na taxa de mortalidade”, diz o ministério. Um problema urgente, o da vacinação, será combatido nacionalmente a partir de agosto. No próximo dia 6, terá início uma campanha de imunização da poliomielite – paralisia infantil –, doença que, segundo um alerta do próprio ministério no mês passado, estava com cobertura vacinal abaixo de 50% em 312 municípios, a maioria na região Nordeste.

A campanha foi antecipada em locais mais críticos. A pasta também afirma que reunirá estados e municípios em agosto para “discutir a situação [da mortalidade infantil] em profundidade e estudar formas de ação mais urgentes”

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