Concessão abre racha sobre turismo em parques nacionais

Por Rafael Neves/Metro Brasília

Prevista para começar a sair do papel ainda neste ano, a concessão de sete parques nacionais à iniciativa privada divide ambientalistas em uma discussão: até que ponto é desejável abrir os refúgios naturais do Brasil para o turismo?

A gestão ambiental dos locais seguirá com o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). O que as empresas assumem são serviços como estacionamento, alimentação, lojas e outras atividades comerciais, incluindo esportes de aventura, que variam de acordo com o parque.

Na lista do ICMBio há destinos turísticos tradicionais, como Jericoacoara (CE) e os Lençóis Maranhenses (MA), e também parques que até hoje não têm visitação regular e são frequentados apenas por pesquisadores, como o da Serra da Bodoquena (MS).

No caso dos locais já acessados por visitantes, os gestores expressam alívio com a concessão. “Nos meses mais turísticos a gente fica travado com tarefas ligadas à visitação. Para nós, a concessão é uma ferramenta para permitir que a gente se dedique a outras atividades: manejo, regularização fundiária, monitoramento da pesca, pesquisa, produção de imagens; que é a nossa atividade”, comenta Adriano Rocha de Souza, chefe da unidade de conservação dos Lençóis Maranhenses.

A mudança também é vista com bons olhos nos parques que se abrirão ao público pela primeira vez. “Hoje só recebemos grupos de universitários e visitantes mais de nicho, mas consideramos que o parque é de uso público. Já queríamos abrir para uso público há uns cinco anos, mesmo que não fosse via iniciativa privada”, diz Sandro da Silva Pereira, chefe da unidade de Bodoquena.

O estímulo ao turismo, no entanto, recebe críticas de fora do ICMBio. “Atrair público em massa não é a principal finalidade das unidades de conservação da natureza. Se não houver um acompanhamento de perto, existe o risco de degradação do ambiente”, avalia Lisiane Becker, coordenadora da ONG ambiental Mira-Serra e conselheira do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), do governo federal. Até atividades aparentemente inofensivas, segundo ela, podem levar riscos à natureza. “Marcação de trilha, por exemplo, às vezes se faz uma raspagem e marcação com spray em locais onde pode haver líquens e fungos ainda nem catalogados”, exemplifica.

Outros ambientalistas, porém, consideram benéfico o aumento de turistas em parques. “Se isso for feito com cuidado, com critério, é excelente. Porque nós, da área ambiental, a gente tem pouco contato com o público. A gente não consegue passar nossa mensagem, não conseguimos convencer a população do quanto é importante a questão da biodiversidade. E uma das formas de fazer isso é botar as pessoas para ver de perto”, defende Magnus Severo, analista ambiental do Parque Nacional Lagoa do Peixe, em Mostardas (RS).

Justificativa

O ICMBio afirma que a limitação de recursos é a principal razão para as concessões. “A extensão do conjunto de UCs [há hoje 335 Unidades de Conservação no país] saltou, nas últimas duas décadas, de 37 milhões para mais de 167 milhões de hectares, de áreas terrestres e marinhas. Um incremento assim implica uma necessidade crescente de recursos, que preferencialmente têm sido canalizados para as atividades básicas de proteção”, afirma o órgão.

Futuro
Dois dos parques no pacote de concessões [Chapada dos Veadeiros-GO e Pau Brasil-BA] já estão com os editais prontos e as concorrências devem ser lançadas em breve, segundo o ICMBio. Para os outros cinco, houve audiências no mês passado com as comunidades locais. As propostas serão abertas para sugestões na internet (www.participa.br) por 30 dias e, em seguida, os editais serão consolidados.

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