Reciclagem transforma tubos de pasta de dente em móveis

Por Vanessa Selicani - Metro Jornal ABC

Aquele tubo que todo o mês você trata de apertar ao máximo para não desperdiçar um grama sequer de pasta de dente pode render muito mais. A embalagem, que no aterro sanitário demora até 450 anos para se decompor, é matéria-prima para armários, mesas, bancos, lixeiras, armação para óculos, telhas e diversos outros produtos.

Em São Paulo, ao menos três empresas trabalham com a reciclagem: Ecofour, em Santo André, Ecotop, em Barueri, e Metagreen, em Santa Bárbara d’Oeste.

Além de contribuir com o meio ambiente, o material tem vantagens em relação aos convencionais como mais flexibilidade e resistência ao fogo, não absorção de água e funcionamento como isolante térmico.

A construção civil foi a primeira se interessar pelos atrativos. O produto é utilizado principalmente em telhas. Mas recentemente as placas ganharam atenção especial para fabricação de móveis e utensílios.

A Ecofour, instalada desde 2010 em Santo André, tem se destacado na confecção de armários para grandes redes de restaurantes. Adriano David, proprietário da empresa, conta que iniciou a produção porque estava cansado de ver os utilizados em sua ferramentaria para guardar pertences de seus funcionários enferrujar. “Aquilo me envergonhava. Então passei a pesquisar materiais que durassem mais, fossem mais higiênicos e ainda auxiliassem o meio ambiente.”

A reciclagem é realizada triturando os tubos e em seguida derretendo o material até a formação das placas. A vantagem em relação ao plástico puro é a presença de alumínio, que dá mais flexibilidade ao material final e permite o uso de parafusos, por exemplo. Por conta dos rótulos, o produto final ganha cores granuladas.

David conta que os tubos de pasta de dente descartados das casas ainda representam muito pouco da produção. A maior parte do material vem de embalagens com defeitos que seriam incineradas nos grandes produtores “As pessoas não sabem que é possível essa reciclagem. O potencial para crescimento ainda é muito grande se houver conscientização”, afirma. A empresa mantém convênios com ONGs da capital e cooperativas de reciclagem em Santo André e São Bernardo.

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