‘É um mal necessário’, diz sócio-responsável por empreendimento em área ambiental de Paranapiacaba

Por Cadu Proieti - Metro Jornal ABC

A construção de um centro logístico no bairro Campo Grande, dentro do distrito de Paranapiacaba, em Santo André, em área ambiental protegida por lei, gera polêmica. O projeto prevê desmatamento de 910 mil metros quadrados de Mata Atlântica, o que é contestado por ativistas em prol do meio ambiente contrários a construção. A audiência pública para discussão do projeto já foi adiada duas vezes, a última, no fim do mês passado, após a Justiça, em decisão liminar,  barrar o encontro atendendo pedido de uma ação popular. Veja abaixo entrevista com responsável pelo projeto.     

Como surgiu o projeto?

A gente está na região há cerca de 70 anos. Ao longo do tempo, fomos tentando desenvolver atividades que fossem adequadas para a região. O município tem uma definição muito clara de que não quer o adensamento populacional na região. Juntamos isso com a vocação ferroviária do local desde 1860 e chegamos a essa solução de um centro logístico, que atende a vontade do município e, ao mesmo tempo, cria atividade socioeconômica totalmente legalizada dentro do que a região permite.

Como a área foi adquirida por sua empresa?

Meu pai e meu tio, lá pelos anos 1940, viram uma oportunidade de venda desse local. Naquela época, não existia rodovia, a ligação São Paulo/Santos era feita só por ferrovia. Quando viram isso, que o local tinha um pátio de manobras, acharam que era um ponto de excelência para investir, e compraram. 

O estudo de impacto ambiental mostra que as obras podem afetar fauna e flora locais. O que será feito para minimizar isso?

Por isso, o empreendimento está projetado em fases. Assim, os impactos são menores. A capacidade total vai ser implementada ao longo de 20 anos, que é um prazo bastante razoável para minimizar os impactos. Mas existem vários programas que são de cuidado com a fauna e flora. Um deles, por exemplo, prevê a criação de um santuário no local para os animais que serão separados das áreas de onde haverá implantação. Outro é a criação de um viveiro para colocar as espécies mais ameaçadas e depois realoca-las no meio ambiente. Esses projetos tendem a se manter depois. 

Ambientalistas criticam que o desmatamento será grande. É possível diminuir isso?

Não dá para fazer um empreendimento gerador de empregos que aproveite a vocação local sem ter algum tipo de redução e supressão de vegetação. Infelizmente, esse é um mal necessário. Mas nosso ponto de partida é que vamos utilizar só a metade do que poderia ser feito. Poderíamos chegar a 30%, 40% (de desmatamento), e será menos de 20% da área. Esse já é um grande esforço. Onde haverá supressão requer, por lei, que seja feito investimento em outra área 120% maior, onde vamos fazer a mesma conservação. Se de um lado temos supressão, por outro as medidas tomadas são extremamente benéficas para o meio ambiente. Iremos repor mais do que será desmatado.

Onde será a replantio?

A Cetesb e o município que vão determinar isso. A prioridade é sempre na mesma bacia hidrográfica.

Pode haver impacto na Vila de Paranapiacaba?

Nossos estudos mostram que, como estamos a vários quilômetros de distância do centro da vila, não haverá qualquer tipo de impacto oriundo da operação. Pelo contrário. O que vemos é que o fato de ter ali geração de empregos e movimentação constante vai gerar dinamização da economia da vila.

Ministério Público pede revogação de um decreto feito pelo então vereador Donizeti Pereira (PV) no fim do mandato e que, consequentemente, liberou o empreendimento. Teme que isso possa barrar o projeto?

Vemos isso com certa consternação. A história é totalmente diferente. Começamos direcionar nesse caminho do projeto há cinco anos. Em algum momento, o governo passado decidiu fazer a Luops (Lei de Uso e Ocupação do Solo), que foi aprovada no final do mandato. Evidentemente, tudo foi no fim do mandato. Não que isso foi feito na calada da noite. Fizemos muitas reuniões sobre o projeto. O que ninguém fala é a contrapartida dessa emenda, que é extremamente exigente e nos obriga a fazer série de medidas ambientais que não existia na legislação.

Houve lobby de sua empresa com o poder público ou o vereador para inclusão dessa emenda?

Esse vereador que citam só vim a conhecer muito tempo depois, quando ele nem era mais vereador. Não temos nada a ver com isso. Ainda bem que atacam essas coisas, isso significa que o projeto não tem falhas. Se tivesse problemas, estariam atacando outras coisas. Não apareceu uma crítica. Nem gosto de falar isso, porque depois serei cobrado. Se tiver críticas, são bem vindas. Não quero aprovar um projeto que poderia ser melhor, prefiro descobrir falhas agora. Peço às pessoas que tragam críticas e contrapartidas, isso é muito importante.

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