Catadores clandestinos saqueiam o material reciclado em São Caetano

Por Metro Jornal ABC

O lixo reciclável de São Caetano é saqueado por catadores clandestinos. A reportagem do Metro Jornal flagrou caminhão, perua, caminhonete e até mesmo carroceiro recolhendo os sacos plásticos amarelos, que identificam o material para a coleta seletiva. A prática foi acompanhada por vários dias e em diversas ruas pela reportagem.

As  ações irregulares de interceptação, sem qualquer tipo de fiscalização por parte da Prefeitura de São Caetano, ocorrem na maioria das vezes ao longo da manhã, antes da passagem do caminhão de coleta seletiva oficial, conhecido como gaiola (em que é possível ver o material dentro). O Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental) é a autarquia municipal responsável pelo serviço público.

Em São Caetano, a coleta  seletiva porta a porta é realizada em todas as ruas da cidade, uma vez por semana e dividida pelos 15 bairros – de segunda a sexta-feira, com início entre 7h e 7h30.

No entanto, os catadores clandestinos sempre se adiantam e recolhem horas antes todos os sacos plásticos, inclusive fazendo a triagem na própria calçada – o descarte é deixado no local, o que tem gerado reclamações por parte da população.

À parte a sujeira deixada na porta do morador, o desvio do lixo reciclado tem afetado diretamente os integrantes da Cooptresc (Cooperativa de Trabalhadores dos Catadores e Reciclados de São Caetano), entidade que funciona há dois anos dentro do Centro de Triagem de Coleta Seletiva.

O espaço, inaugurado pela administração municipal em novembro de 2012 e revitalizado em março de 2016, funciona  na avenida dos Estados, 4.200, no bairro Prosperidade. Ali, os resíduos são levados pelos caminhões da prefeitura para separação, descarte e destinação final.

“Nos últimos meses, as latinhas de alumínio, por exemplo, que vendemos o quilo por R$ 4, além das  garrafas pet, diminuíram. O pessoal de fora pega antes nas ruas”, disse a presidente da cooperativa, Maria Maozita, mais conhecida por Mel.

No centro, hoje são 24 cooperados, todos de baixa renda e moradores em outras cidades, inclusive na vizinha São Paulo, que fazem do trabalho de reciclagem o sustento da família. A verba é rateada entre os cooperados. “Não faltando, a pessoa consegue tirar R$ 1,5 mil por mês”, afirma Mel.

O Saesa não respondeu aos vários e-mails enviados pelo jornal.  


Desvio é  feito por  empresas

O advogado e ambientalista Virgílio Alcides de Farias afirmou que é obrigação da Prefeitura de São Caetano fiscalizar o desvio do material reciclado. “Há omissão e conivência do poder público, uma vez que são empresas de ferro velho atuando irregularmente na cidade”, disse.

Para Farias, há impacto direto na reciclagem oficial. “Os cooperados são prejudicados com o rejeito, que não tem valor financeiro importante. Já os carroceiros, também de baixa renda, teriam de ser agregados à cooperativa.”  

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