Serviço de ônibus em SP não atrai novos passageiros há 12 anos

Por Metro Jornal

Apesar do repetido discurso dos prefeitos de São Paulo de que priorizam o transporte público para que seja mais utilizado pela população, os ônibus da capital não conseguem atrair novos passageiros há 12 anos.

O último grande crescimento no volume de usuários ocorreu em 2005, com aumento de 50% em relação ao ano anterior, quando o número de pessoas transportadas passou de 1,6 bilhão para 2,5 bilhões.

Esse foi o primeiro ano cheio do Bilhete Único, criado no ano anterior para substituir os bilhetes de papel e permitir que os usuários tomassem mais de um ônibus em um intervalo determinado de tempo e pagando apenas uma tarifa.

Depois de pequenos aumentos nos três anos seguintes, de até 6,1%, o total de passageiros nos ônibus entrou em 2009 no começo do período de estagnação em que se encontra até hoje. De lá para cá, as variações anuais têm sido mínimas, com até dois pontos percentuais para mais ou menos – e saldo de até 2,9 bilhões de pessoas transportadas.

“O Bilhete Único permitiu mais de uma viagem com uma tarifa só. Então, no limite, é o preço do serviço (hoje em R$ 4) que tem dificultado a entrada de mais passageiros”, afirmou o engenheiro e ex-secretário municipal de Transportes no governo da ex-prefeita Luiza Erundina (de 1989 a 1992), Lúcio Gregori.

Segundo Gregori, estudo de 2015 a partir do salário médio mostrou que o paulistano precisava trabalhar 13,3 minutos para ganhar o suficiente para pagar uma tarifa do transporte público.

Um morador de Pequim (China) trabalhava 4,5 minutos para custear o valor da passagem, enquanto que um de Buenos Aires (Argentina) precisava de 2,6 minutos. “A diferença é enorme.” Gregori afirmou que aumentar o gasto do subsídio (verba transferida pela prefeitura para bancar parte do serviço) é uma forma de reduzir o valor da passagem. No ano passado, a despesa custou R$ 2,9 bilhões. “Uma saída é distribuir mais dinheiro para o subsídio no Orçamento É uma questão de prioridade.”

Prefeitura e empresas

A SPTrans e o SPUrbanuss (sindicato que representa os concessionários) comemoraram a estabilidade no número de passageiros (atribuído à política tarifária, com gratuidades e integrações) e afirmaram que São Paulo registrou quedas menores do que outras capitais brasileiras. Segundo a SPTrans, para 2018, a expectativa é de transportar 2,8 bilhões de passageiros.

A partir da nova licitação, que atualizará as regras para os serviço, o volume deve crescer. A demanda diária passará da média atual de 9,3 milhões de passageiros para 10,2 milhões – em até três anos de transição. O sindicato afirmou que “enquanto não for implantado um programa de corredores exclusivos, com efetiva prioridade sobre o transporte individual”, o ônibus, não será “rápido o suficiente para atrair mais passageiros”.

 

Análise: Estão usando ônibus mesmo?

Entre 1994 e 1999, a população brasileira crescia 1% ao ano enquanto caia 56 % o total de passageiros e extensão percorrida, em São Paulo e em mais oito metrópoles. Os índices praticamente congelaram desde então. Qual é o problema? Hábito é fator relevante, associado à duração da viagem, conforto e segurança, comparados ao automóvel.

Falam que se deve usar ônibus, enquanto se incentiva comprar carro, porque nossa economia ainda é dependente.

O aumento da tarifa, desde que seja aplicada a equação custo mais lucro limitados por quanto o trabalhador possa pagar, não tende a afetar de forma significativa a demanda. Tarifa, palavra de origem árabe, quer dizer explicação.

O que estou pagando? O aumento gera, na realidade, mais reclamação do que desistência. Mas o problema se agrava. A diferença da conta transporte é paga pelo poder constituído, com recursos que saem de nossos bolsos. Em 2016, foram gratuitas 25% das quase 3 bilhões de passagens paulistanas. A participação de idosos foi de 40% nas gratuidades. A taxa de crescimento de idosos é da ordem de 5% ao ano.

CRESO DE FRANCO PEIXOTO Mestre em Transportes e professor de disciplinas de Transportes da FEI (Fundação Educacional Inaciana)

arte onibus sp
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