Câmara da Argentina aprova projeto que legaliza aborto

Por Ansa

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou na manhã desta quinta-feira (14), por um placar de 129 votos a 125, o projeto de lei que autoriza o aborto sem restrições até a 14ª semana de gestação.

A votação ocorreu em meio a protestos em massa de grupos pró e contra a iniciativa na capital Buenos Aires. O projeto passa agora para apreciação do Senado.

A sessão na Câmara foi tratada como um evento histórico pela imprensa local, principalmente por causa das mobilizações populares nas ruas. "Festejamos com euforia porque essa é uma conquista das mulheres para defender as mulheres", comemorou a deputada Romina del Plá, de esquerda.

O debate no Parlamento, iniciado por volta do meio-dia da última quarta-feira (13), se estendeu por quase 20 horas, em um clima de áspera divisão entre os congressistas. Milhares de manifestantes, apesar do frio do inverno em Buenos Aires, permaneceram nas ruas até a manhã desta quinta.

Organizações sociais que defendem o projeto estimam que, a cada ano, sejam realizados 400 mil abortos na Argentina em clínicas clandestinas. O projeto garante às mulheres o direito de interromper a gravidez até a 14ª semana de gestação sem restrições.

No entanto, ela poderia abortar depois desse prazo em casos de violência sexual, risco de morte ou de inviabilidade de vida extrauterina do feto. Atualmente, o aborto só é permitido no país em situações de estupro ou risco para a mãe.

"Pela primeira vez, avança uma legislação democrática que promove a morte de seres humanos", declarou o delegado da Igreja Católica para diálogo com o Congresso, monsenhor Alberto Bochatey. "É uma pena muito grande", acrescentou.

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