'É preciso planejar para resolver", diz Luiz Marinho

Em entrevista ao Metro Jornal, pré-candidato do PT afirma que sua experiência à frente da Prefeitura de São Bernardo serve como laboratório para governar o estado

Por Metro Jornal

Ex-prefeito de São Bernardo, ex-ministro no governo Lula e uma das pessoas mais próximas do ex-presidente, traz de sua experiência na prefeitura a necessidade de diagnosticar os problemas para planejar sua solução, o que pretende fazer no estado. Leia trechos de sua entrevista ao Metro Jornal.

Qual é hoje o maior problema do estado?

Falta de governo. Não tem um problema específico do estado. O PSDB está no governo do estado há 24 anos, um tempo que você pode planejar a solução de qualquer coisa. Se pegar segurança, saúde, educação, transporte… Até ferrovias era possível ter planejado, pois 24 anos não são 24 dias. A lógica de pensar gestão de cidades, de estado, de país, para isso é essencial planejar. O PSDB fala muito em planejar, mas me parece que é só da boca para fora. Se perguntar dessas áreas todas a que me referi um gargalo que eles tenham resolvido a resposta será um sonoro não em todo o estado de São Paulo.

Qual será a marca da sua gestão?

Planejamento. Eu demonstrei em São Bernardo, por oito anos, que planejamento é essencial. Planejamento e de forma participativa, transparente, a transparência também é fundamental.

Como espera que ocorrerão essas eleições, em meio à polarização política e o avanço das fake news?

Espero que o povo tenha consciência de que ele é o personagem responsável e principal. O eleitor e eleitora têm que usar a sua arma, que é a possibilidade da sua escolha. O que a gente pede: muita reflexão. Acredito que se o eleitorado tiver consciência disso, as fake news não vão fazer a cabeça de ninguém, porque as pessoas saberão fazer seu filtro. É preciso observar o histórico de competência, de experiência. Eu fui prefeito e posso considerar São Bernardo um laboratório para planejar o estado. Aí tem gente que vem e disse que não era político, era gestor, que empenhou a palavra que em 31 de dezembro de 2020 ia deixar a Prefeitura de São Paulo e depois de um ano e três meses resolve ser candidato. Trai o povo, não tem palavra… E tem o rapaz do pato, do sapo, na avenida Paulista, que também tem que explicar por que é contra direitos, dos trabalhadores, da aposentadoria, como ele explica sua relação com seu padrinho Michel Temer

“A escola hoje tem cara de cadeia e os presídios viraram escola do crime. É essa a inversão que nós temos que fazer.”

A resolução de crimes ainda é pequena no estado. O que pretende fazer para melhorar esse índice?

Investimento em inteligência, efetivo. A Polícia Civil em São Paulo foi desmontada pelo PSDB nesses 24 anos. Aumentou a quantidade de delegacias… só que as delegacias funcionam sete horas por dia. Para que? Para ir lá no dia da inauguração, soltar rojão por abrir aquela delegacia, mas ela não funciona. Prédio não resolve o problema. É para fazer publicidade.

Como combater o PCC?

Qualquer facção criminosa tem que ser tratada com o rigor da lei. Agora, eu observo que muitas vezes essas facções crescem por ausência do estado. Se o estado está presente, a facção desaparece. Na inauguração das praças que a gente revitalizava em São Bernardo, eu falava para a população “olha, estamos inaugurando, estamos garantindo equipamentos para a criançada, equipamentos para os idosos, as pistas de caminhada, para o pessoal andar de bicicleta, para o pessoal brincar, se vocês ocuparem o espaço, pode ter certeza, a criminalidade vai embora”. Isso se confirmava. Se o estado estiver presente, se houver políticas públicas e também a garantia da civilidade, o crime não estará presente.

Como fazer que as obras do Metrô não atrasem?

Aqui é preciso, a partir do diagnóstico, fazer um planejamento e será mentiroso aquele que falar que em quatro anos vai equacionar um problema como esse. Eu falo de 20 anos, eu falo de 10 anos, como as empresas fazem. Você tem projetos duvidosos, que é o caso dos monotrilhos. Dizem que esse de Tiradentes trepida. Aliás, ali, um projeto inadequado, não caberia, pelo que os especialistas dizem, não caberia esta modalidade pelo tamanho da demanda, teria que se falar de metrô ali, e não monotrilho.

“Se o estado estiver presente, se houver políticas públicas e também a garantia da civilidade, o crime não estará presente.

Qual o maior gargalo da saúde no Estado?

Gestão. O SUS é um bom sistema desde que os entes funcionem bem. O ministério elaborando os conceitos e financiando, o estado como ente coordenador em franca parceria, estimulando municípios a fazer arranjos regionais, e coordenar de forma partilhada. Mas não é assim. O estado acaba fazendo de forma competitiva com os grandes municípios e autoritária com os pequenos. E atua de forma competitiva também com o governo federal, o que é um erro, você perde sinergia, perde recurso, gasta duas vezes. Na pesquisa Ibope/Band, a saúde foi apontada como o principal problema pela população de São Paulo. Quando eu assumi em São Bernardo, de 100 questões colocadas de problemas, 92 eram relativas a saúde. Nós então mapeamos, para a partir do diagnóstico planejar a solução. Com isso, a saúde chegou ao final do meu primeiro mandato como reclamação pontual. Nós vamos fazer no estado esse diagnóstico, território por território, para depois planejar a solução em cada um deles, de forma integra da, coordenada, dialogando com governo federal, municípios, regiões.

A nota de São Paulo voltou a subir no Ideb, mas ainda está abaixo da meta. Como melhorar a educação básica?

É preciso ter como prioridade, ela é chave para o futuro. Precisamos de planejamento, envolvimento das cidades, empresarial, do mundo científico. Precisa ter profissionais estimulados, pela valorização profissional, pelo salário praticado, pela estrutura física, porque tudo compõe um processo. A escola hoje tem cara de cadeia e os presídios viraram escola do crime. É essa a inversão que nós temos que fazer. Em São Bernardo, introduzi um processo de modernização das escolas, com o conceito dos CEUs, que traz a lógica da educação integral. Você trabalha para estimular aquele jovem ao processo de aprendizagem, influenciar na sua disciplina comportamental, aí você inclui não só educação como esporte, cultura, lazer. Se a gente cuidar da nossa juventude, estimular com laboratórios apropriados, modernas escolas, que estão sucateadas, bibliotecas de qualidade, estímulo à leitura, é chave para enfrentar violência. Para isso tem que ter investimento. Nós implantamos investimento continuado em São Bernardo, um salário de R$ 4 mil para os professores por 30 horas, parte disso dedicado a sua capacitação. É esse o modelo que vamos trazer para estado, ou seja, a educação será prioridade pra valer.

Ouça a íntegra da entrevista:

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