‘Política torna máquina ineficiente’, diz Rogerio Chequer

Pré-candidato do Novo defende, em entrevista ao Metro Jornal, estrutura menor na máquina do estado para aumentar recursos para serviços e investimentos públicos

Por Metro Jornal

Um dos fundadores do Vem Pra Rua, Rogerio Chequer, 50 anos, defendeu o enxugamento da máquina estatal em entrevista ao Metro Jornal como condição para melhorar a estrutura dos serviços do estado. Leia trechos da entrevista, concedida na sede do jornal.

Qual é hoje o maior problema do estado?

A ineficiência dessa máquina por causa dos interesses políticos. A gente está com o mesmo partido no governo do estado há 24 anos, esse partido se acomodou, criou uma estrutura gigantesca, são 25 secretarias, 20 empresas estatais, 16 fundações, 26 autarquias… 87 reportes em primeiro escalão. É uma estrutura de cargos tão grande que acabou virando moeda de troca, é utilizada já nas campanhas. A eficiência dessa má- quina fica tão baixa que todo o dinheiro da população em impostos que entra nela acaba não saindo em serviços de qualidade.

Qual será a marca da sua gestão?

A marca será limpar esse interesse político e, ao diminuir o tamanho dessa máquina, você diminui junto a corrupção. Quando você tira interesse político, começa a perseguir corrupção e ineficiência, sobra mais dinheiro para os serviços. Sem corrupção, São Paulo faz o dobro do que está sendo feito agora. E o que mais precisa para conseguir fazer essa limpeza? Precisa assumir o governo sem estar preocupado com reeleição, em assumir o cargo para depois ir para outro posto, para virar presidente da República, porque se a pessoa for para lá pensando no próximo cargo ela fica incapaz de fazer o que tem que ser feito.

Como espera que ocorrerão essas eleições, em meio à polarização política e o avanço das fake news?

Esse ambiente de 2018 é completamente novo. As ferramentas que nós temos hoje, mídias sociais, formas de conexão entre as pessoas, nunca existiram. Hoje todo mundo tem grupos de famí- lia e de amigos que não tinha nas últimas eleições. Todo mundo virou influenciador. Isso se junta com uma nova consciência do brasileiro. Ele descobriu como funciona a política velha, quais trocas são feitas, como as pessoas enriquecem, para onde vai o dinheiro de impostos. Essa conscientização está tornando o povo absolutamente indignado, essa indignação vai fazê-lo procurar novas alternativas. Mas, como tem coisas boas, vai ter coisas ruins também. E fake news vai ser uma delas. A quantidade vai ser muito grande, mas acho que acaba vindo junto com o progresso. A gente vai ser alvo de fake news, e isso vai ser um dos indicadores do nosso sucesso. Quanto mais sucesso nós fizermos, infelizmente mais fake news vai ter a nosso respeito.

A resolução de crimes ainda é pequena no estado. O que pretende fazer para melhorar esse índice?

Ela está ao redor de 1% em roubos e furtos e 10% em homicídios e esses números são um estímulo ao crime. Precisamos de inteligência. A Polícia Civil, que cuida da investigação, está com quadro decrescente, desequipada ou com equipamentos antiquíssimos, destreinada, não estão gastando dinheiro suficiente para preparar essas pessoas, e mal remunerada. A gente precisa valorizar e contratar mais esses policiais e principalmente preparar e equiparar a polícia. Precisamos conversar com polícias de outros países que já têm tecnologia, escutas telefônicas, equipamentos que detectam as pessoas e identificam onde elas estão. Enquanto a gente não usar inteligência para prevenir novos crimes, a polícia vai ficar enxugando gelo.

Como fazer que as obras do Metrô não atrasem?

O Metrô hoje se reporta diretamente ao governador e isso faz que a relação seja política. Nós precisamos cuidar para que essa administração seja profissionalizada, não devemos ter pessoas ligadas a políticos, tem que ser técnicos, gestores que conheçam do negócio. O potencial de crescimento é gigantesco, o que está atrapalhando é a política velha, é a forma antiga de usar essas empresas para interesse político.

Qual o maior gargalo da saúde no estado?

A falta de informatização do sistema. É um desrespeito a forma como a saúde foi tratada nos últimos anos: para marcar um exame ou consulta a pessoa leva tempo, às vezes não consegue perto da sua casa e, quando chega para a consulta, o médico pergunta seu passado, ela tem que lembrar tudo o que aconteceu, para onde foi, o que tomou. Precisamos de um cadastro único de usuários, cada um vai ter seu número e tudo o que acontece com ele vai entrar num protocolo. E quando ele chegar para fazer uma consulta o médico já vai saber por onde ele passou, quais foram as queixas anteriores e os remédios receitados. A gente não está falando de uma informatização do século que vem, é uma dos anos 1990, 2000, são coisas simples, colocar as pessoas nos sistemas, protocolos médicos, acompanhar o mapa das pessoas, onde elas estão, que tipo de problemas que acontecem em determinada região para gerar inteligência da saúde. Com base nessas informações você consegue identificar onde se precisa de mais ambulatórios, mais hospitais, e pode fazer novas parcerias com o setor privado para construir postos de atendimentos nesses locais, de uma forma mais rápida e sem entrar no jogo político.

 

A nota de São Paulo voltou a subir no Ideb, mas ainda está abaixo da meta. Como melhorar a educação?

A solução da educação não é uma só. Em primeiro lugar, precisa aumentar o número de escolas com o ensino em período integral, que traz uma série de vantagens. Ele tira as crianças e jovens da rua e de outras atividades nem sempre positivas, permite que os pais trabalhem numa jornada mais longa e ganhem mais, uma melhor remuneração para os professores. Uma outra frente é começar a tratar o professor de uma outra forma. Ele hoje no estado não é valorizado. A gente precisa treinar esses professores, não só em termos de conteúdo, mas também conexões para passar as coisas do futuro, as tecnologias do futuro. Não adianta nada a gente ensinar para nossas crianças de uma forma até eficiente as coisas que só valiam no passado, o Brasil precisa estar à altura dos outros países e para isso precisa ter pessoas preparadas para o futuro. Para fazer essas melhorias na educação, na saúde, é necessário em vários casos mais dinheiro, não muito, mas é necessário. Muitas pessoas perguntam de onde vem esse dinheiro. A gente precisa desinchar essa estrutura e combater corrupção. Enquanto a gente tiver uma estrutura tão inchada como essa, que foi uma estrutura política criada para manter e perpetuar o poder no estado, não sobra dinheiro para essas melhorias. É por isso que a política 2.0 é tão importante.

Veja a íntegra da entrevista:

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