Greve dos caminhoneiros: Saiba como será o funcionamento de serviços essenciais na capital paulista

Por Estadão Conteúdo

O Diário Oficial da cidade de São Paulo publicou neste sábado, 26, o decreto de situação de emergência na cidade e a criação de um Comitê de Gerenciamento de Crise no Gabinete do Prefeito Bruno Covas. As ações foram tomadas na sexta-feira, 25, diante dos prejuízos enfrentados pela capital paulista em razão da greve dos caminhoneiros que provocou falta de combustível.

Comerciantes e consumidores ainda sentem os efeitos da paralisação na manhã deste sábado. Gerson Souza, de 45 anos, há um ano trabalha como manobrista em um estacionamento da Avenida Paulista, e diz que nunca viu falta de movimento assim.

Dos 110 carros que costumam parar no local às sextas-feiras, só metade usou o estacionamento na sexta-feira. "Hoje deve estar ainda pior, a gente conversa com os poucos clientes que chegam e eles dizem que não vão ter mais combustível para chegar", ressaltou.

Funcionários de três outros estacionamentos da região dizem que o movimento caiu entre 40% e 60%, por conta da greve dos caminhoneiros.

Na zona leste, a maioria das 15 pessoas que a confeitaria DEF emprega não deve ir trabalhar na segunda-feira, 28. Um dos sócios da empresa, Eduardo Dini Fracaro, diz que eles costumavam fabricar mil bolos por semana, mas as encomendas já estão comprometidas. "Não temos mais recebido leite e ovos. Estamos com três carros parados, por falta de combustível. Já vi greve de ônibus afetar o movimento e atrasar as entregas, mas nada nesse nível."

O medo de ficar sem combustível também fez motoristas acordarem cedo neste sábado. Muitos postos apenas sinalizavam com cones e placas a falta de gasolina e de etanol. Onde ainda tem combustível a disputa é grande.

Na Avenida Salim Farah Maluf, nas proximidades da Ponte do Tatuapé, motoristas faziam fila em um posto sem bandeira que estava aberto e tinha duas bombas funcionando. Os carros ocupavam pelo menos três quarteirões.

O taxista Wagner Simonetti, de 60 anos, rodou pela cidade em busca de combustível por duas horas na madrugada deste sábado, até dar de cara com uma fila em um posto próximo ao viaduto Amaral Gurgel, na Santa Cecília, no centro da cidade, onde a gasolina custava R$ 5,50. "Dois caminhões abasteceram durante a madrugada e, mesmo caro, a fila estava enorme. Como a busca por corrida está grande agora, vou aproveitar a sorte para trabalhar", ressaltou.

A Prefeitura de São Paulo informou na tarde de sexta-feira, 25, que conseguiu comprar combustível para dar continuidade aos serviços públicos, ameaçados diante da continuidade da greve dos caminhoneiros. Somente em uma distribuidora da zona Sul foram adquiridos 240 mil litros de óleo diesel, que foram retirados e transportados com apoio da Polícia Militar. Mesmo assim, será necessário manter as medidas de contingência.

A medida permite que o município faça compras sem licitação, requisite ou apreenda bens privados, como por exemplo o combustível que esteja estocado em um posto.

Impactos

Transporte

A São Paulo Transporte (SPTrans) informa que deve operar neste fim de semana com 40% da frota. O índice de segunda-feira, 28, dependerá da quantidade dos estoques e de novas compras que puderem ser realizadas.

Trânsito

Por conta da paralisação dos caminhoneiros, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) também orientou os agentes de trânsito a não aplicar multas aos motoristas que tiverem pane seca nos veículos. Os agentes devem fazer apenas a remoção do veículo para um local seguro e onde não prejudique o trânsito. A manutenção dessas medidas depende da evolução da greve dos caminhoneiros e será decidida ao longo do fim de semana.

Coleta de Lixo

A Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb)informa que, neste sábado, as concessionárias conseguiram adquirir combustível para a coleta de lixo domiciliar. Ela está mantida durante o dia.

As empresas irão reavaliar os estoques ao fim do trabalho para decidir se conseguirão realizar a coleta noturna de sábado.

Os Ecopontos permanecem fechados, já que os resíduos coletados nesses locais são encaminhados a aterros localizados em rodovias federais e estaduais, muitas delas bloqueadas pelos caminhoneiros. Os serviços de varrição de vias e logradouros continuam reduzidos, mas a coleta hospitalar, a limpeza pós-feiras livres e o recolhimento de animais mortos está mantido.

Saúde

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo esclarece que todas as unidades estão funcionando normalmente e que, até o momento, não houve registro de falta de medicamentos ou de outros insumos.

Com relação às ambulâncias, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informa que conta com uma reserva de combustível para garantir o serviço até o fim deste domingo, 27.

Educação

A Secretaria Municipal de Educação (SME) informa que na segunda-feira as aulas estão mantidas e a merenda terá um cardápio especial, elaborado com supervisão da Coordenadoria de Alimentação Escolar, de acordo com os insumos disponíveis em estoque nas escolas.

A partir de segunda também pode haver problemas na entrega do programa Leve-Leite. Houve redução de quase 70% no atendimento do transporte escolar na sexta-feira, por decisão dos próprios condutores, e não por falta de combustível. Isso ocorreu apesar da orientação da SME, para que o serviço fosse oferecido. A pasta reforça essa orientação para que o transporte seja realizado na segunda-feira.

Serviço Funerário

O estoque de combustível para o serviço de remoção de corpos é suficiente para garantir o serviço até o fim deste sábado.

Comitê de Gerenciamento de Crise

O prefeito Bruno Covas determinou também a criação de um comitê de crise que vai avaliar e tomar as medidas necessárias.

"Caso continue a situação de desabastecimento provocado pelas manifestações, pode haver decretação de feriado municipal ou de ponto facultativo. O estado de emergência pode evoluir para estado de calamidade pública. Dentre as medidas a serem adotadas estão a suspensão de serviços administrativos não essenciais com vistas à economia de combustível.", reforçou a prefeitura.

O comitê será presidido pelo próprio prefeito e será composto pelos secretários de Justiça, Governo, Comunicação, Fazenda, Segurança Urbana e Procurador Geral do Município.

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