Combustível pode levar até 7 dias para retornar no ABC

Sindicato dos postos afirma que, mesmo após fim dos bloqueios, logística para reabastecimento é demorada. Motoristas enfrentaram filas e preços abusivos para conseguir encher o tanque

Por Metro Jornal

O combustível acabou na quinta-feira em ao menos 90% dos postos do ABC após filas e aumento nos preços. A previsão é ruim para os motoristas: o sindicato dos empresários do setor afirma que a normalização pode demorar até sete dias, mesmo que os bloqueios nas rodovias sejam liberados.

Os postos estão desde segunda-feira sem receber etanol, gasolina e diesel por conta dos protestos realizados por caminhoneiros (leia mais nas páginas 4,5 e 6).

“Posso dizer que não há mais combustível no ABC. Talvez 10% dos postos tenham alguma coisa. A volta das bombas cheias deve demorar até uma semana por conta da logística. Tem que trazer da usina para a base e depois distribuir para os cerca de 400 postos da região”, afirma o presidente do Regran (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados Petróleo) ABC, Wagner de Souza.

A falta de combustível afeta também setores importantes para a manutenção da cidade, como transporte público e coleta de lixo.

Correria
O medo de que acabasse combustível no ABC fez com que os motoristas buscassem a todo custo abastecer seus carros. A espera de aproximadamente duas horas em um posto da Vila América, em Santo André, não foi barreira para a contabilista Cláudia Chagas,  55 anos.  “O tanque estava quase seco, não tive outra alternativa. Decidi completar para garantir para sábado”, afirmou.

O Metro Jornal percorreu diversos bairros de Santo André e São Bernardo na tarde de quinta-feira e viu ao menos 12 postos já sem nenhum litro de combustível para vender – cones evitavam a entrada de veículos. Os que ainda tinham estoque, registravam filas enormes.

“Vim do Brás, em São Paulo, e só achei combustível aqui. Mas tem apenas etanol. Já estou levando um galão cheio para a casa para não faltar hoje”, disse o motoboy Márcio Luiz Fernandes, 43 anos, em um posto da avenida Robert Kennedy, no Parque dos Pássaros, em São Bernardo.

Houve também os que se aproveitaram da alta procura para elevar os valores praticados na bomba. Era o caso de um estabelecimento na avenida Príncipe de Gales, em Santo André, que cobrava R$ 4,39 no litro da gasolina. Já um posto no bairro Alvarenga, em São Bernardo, estava vendendo o combustível por R$ 4,79 o litro – o valor mais caro encontrado pela reportagem.

ANP muda regras para os postos
A ANP (Agência Nacional do Petróleo) liberou quinta-feira que postos comercializem combustíveis de marca diferente de sua bandeira e suspendeu a obrigatoriedade de mistura de biodiesel no diesel e de etanol anidro na gasolina. As medidas em caráter excepcional têm o objetivo de garantir a continuidade do abastecimento.

A agência informou também que aumentou a fiscalização sobre preços abusivos. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 0800 970 0267.

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