A comovente história de Eliete, mãe de bebê prematuro que nasceu com 380g

Por Metro Jornal

"Você espera o nascimento do bebê capa de revista e se abre um mundo completamente desconhecido, o mundo da UTI neonatal." A declaração é de Eliete Castro, funcionária pública, mãe de Marcelo, de 15 anos, e Beatriz, de 6.

A caçula da família é uma "verdadeira fênix", como define a mãe. Nascida com 25 semanas, pesando apenas 380g, ela sobreviveu a diversas intercorrências médicas — um caso raro. "Foram sete cirurgias, cinco paradas cardiorrespiratórias, diálise peritoneal por duas ocasiões, um pneumotórax, citomegalovírus, dezenas de transfusões de sangue e hemoderivados", conta Eliete.

Eliete e sua filha caçula, Beatriz, de 6 anos Eliete e sua filha caçula, Beatriz, de 6 anos / Arquivo pessoal

As complicações surgiram durante a 22ª semana de gestação, quando Eliete foi diagnosticada com SHG (Síndrome Hipertensiva da Gestação), aos 39 anos. A notícia, para quem já havia perdido as esperanças de engravidar novamente devido a uma endometriose, não assustou, a princípio.

"Não tinha ideia da gravidade da doença. Então, não senti medo, apenas entreguei nas mãos de quem tudo pode."

Eliete ficou internada por 17 dias em uma unidade semi-intensiva, em repouso absoluto e sendo monitorada 24 horas por dia. Tudo para salvar a vida da filha, Beatriz. "Os dias de internação foram muito longos, pereciam eternos. Não queria ninguém por perto, senti que era um momento somente meu."

Marcelo, Eliete e Beatriz Ao lado dos filhos, o sorriso demonstra a realização do sonho de ser mãe / Arquivo pessoal

Beatriz nasceu e ficou internada por 11 meses, chegando a pesar 335g. A alta veio faltando apenas uma semana para completar um ano de idade. "Quando isso aconteceu, nem preciso dizer que chorei muito no caminho do hospital até em casa, mas desta vez de alegria”, ressalta.

Hoje, Bia está matriculada em escola regular, com excelentes avanços na parte social e pedagógica, e é acompanhada por fonoaudióloga e terapeuta ocupacional. "Ela tem um sorriso lindo e sempre demonstra uma felicidade e carinho por todos que dela se aproximam. Vamos construindo nossa história de superação."

Entenda a Síndrome Hipertensiva da Gestação

grávida Getty Images

De acordo com o obstetra Mário Macoto, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, onde Eliete foi atendida:

O que é

A síndrome consiste no aumento da pressão arterial durante a gestação e é uma das principais causas de morte materna e perinatal, principalmente quando se manifesta em suas formas mais graves, como pré-eclâmpsia. A doença costuma ocorrer em cerca de 5 a 7% das gestações.

Primeiros sinais

A SHG pode se manifestar com aumento da pressão arterial, acompanhado de inchaço, principalmente de mãos e rosto, ganho abrupto de peso, dor de cabeça, turvação da visão, dor de estômago e desconforto abdominal em região do fígado.

Causas

A causa exata da pré-eclâmpsia não é conhecida, sendo mais comum na primeira gravidez, na gestante previamente hipertensa, com idade materna avançada, obesidade, histórico familiar de SHG, gestação anterior com SHG, diabetes, gestação múltipla, doença renal e trombofilia.

Tratamento

O tratamento visa o controle da pressão arterial, nas forma leves, e pode ser feito via ambulatorial. Nas formas graves é necessário a internação para controle materno e da vitalidade fetal. "O controle da pressão ajuda a melhorar as condições maternas e do feto, possibilitando prolongar a duração da gravidez, diminuindo a prematuridade extrema", explica Macoto.

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