Fake news: agências de checagem são atacadas após parceria com Facebook

Por Metro Jornal

Após a acusação de ter permitido a disseminação de fake news nas eleições americanas, o Facebook anunciou medidas para combater esse tipo de compartilhamento. Uma das decisões da empresa foi firmar parcerias com agências de checagem de fatos, para que verifiquem os boatos que podem estar circulando pela rede social.

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No início deste mês, o Facebook comunicou que, no Brasil, a Agência Lupa e a Aos Fatos seriam as agências que fariam a checagem de conteúdo. A partir desse momento, grupos virtuais começaram a questionar a decisão e incitar ataques não apenas aos portais, mas também aos profissionais e às famílias. Imagens difamando jornalistas e pessoas próximas, com afirmações falsas e ofensivas, começaram a ser compartilhadas.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu uma nota, em que repudia os ataques. "Para a Abraji, a crítica ao trabalho da imprensa é válida e necessária. Ao incitar, endossar ou praticar discurso de ódio contra jornalistas, porém, aqueles que reprovam as iniciativas de checagem promovem exatamente o que dizem combater: o impedimento à livre circulação de informações", diz o comunicado.

Eles também apontam que os grupos escolhidos seguem metodologias reconhecidas pelo IFCN (International Fact Checking Network) – que, entre várias regras, exige o apartidarismo das agências de checagem de fatos. Além disso, também informam que o Facebook não vai excluir os links para notícias falsas; a ideia é impedir que esses conteúdos sejam patrocinados – aumentando seu alcance – e emitir um alerta para usuários que queiram compartilhar mesmo assim.

Veja a nota na íntegra:

Desde o anúncio da parceria entre o Facebook e as agências de checagem Aos Fatos e Lupa em um programa de verificação de conteúdo postado na rede social, em 10.mai.2018, jornalistas e colaboradores desses veículos têm sido alvo de ataques no próprio Facebook e​ em​ outras plataformas, como Twitter e WhatsApp.

Por meio de vídeos e montagens de imagens, páginas e pessoas públicas ​classificam a iniciativa de checagem como "tentativa de censura da direita", atribuindo às agências ​e a profissionais que as compõem ​o rótulo de "esquerdistas"​. Os conteúdos e falas incitam o público a "reagir".

Perfis pessoais de colaboradores dos veículos​ em redes sociais ​​têm sido vasculhados​ e ​expostos​ em montagens, como supostas evidências de que as agências de checagem estariam a serviço de uma ideologia. Em alguns casos, fotos de cônjuges e pessoas próximas aos profissionais também foram disseminadas junto a afirmações falsas e ofensivas.

​​Para a Abraji, a crítica ao trabalho da imprensa é válida e necessária. Ao incitar, endossar ou praticar discurso de ódio contra jornalistas, porém, aqueles que reprovam as iniciativas de checagem promovem exatamente o que dizem combater: o impedimento à livre circulação de informações.

​​Os ataques pecam ainda pela imprecisão: o programa do qual a Aos Fatos e a Lupa fazem parte não envolve a retirada de conteúdos do Facebook ou o impedimento à publicação. De acordo com o próprio Facebook, conteúdos identificados como falsos continuarão disponíveis no feed de notícias; mas não poderão ser patrocinados. Quem quiser compartilhá-los receberá um alerta de que a veracidade da informação foi questionada.

Os critérios de checagem das agências são públicos e atendem aos requisitos da International Fact Checking Network (IFCN) — um dos quais é o apartidarismo. A IFCN é parte do Poynter Institute, um dos mais renomados centros de formação e aprimoramento do jornalismo.

A Abraji se solidariza com os profissionais do Aos Fatos e da Lupa.

Diretoria da Abraji, 16 de maio de 2018.

A Agência Lupa também se pronunciou sobre o assunto em sua conta no Twitter:

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