Secretaria de Segurança de SP desconsidera letalidade em bônus a PMs

Por Estadão Conteúdo

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) paulista parou de aplicar um desconto previsto no bônus pago a policiais civis e militares em caso de alta nas mortes cometidas por esses agentes A letalidade policial foi recorde em 2017.

O secretário, Mágino Alves Barbosa Filho, decidiu que a redução de até 20% no bônus trimestral não seria aplicada em razão de um suposto "novo paradigma no comportamento criminal": os bandidos estariam atuando com mais violência e usando fuzis, por exemplo, com maior frequência. O bônus pode chegar a R$ 2 mil por agente

A decisão mais recente foi publicada no Diário Oficial do Estado do dia 8 passado, relativo ao bônus do 4º trimestre de 2017. Nesse período, as polícias, pela terceira vez em 16 trimestres desde que a política foi implementada, atingiram nível considerado satisfatório para as três metas: roubos comuns, roubos de veículos e homicídios.

Esses são os três crimes em que a pasta fixa metas de redução para serem cumpridas no trimestre. Tanto a letalidade policial como os latrocínios são considerados como fatores de redução. Ou seja, ainda que as polícias cumpram as metas integralmente, porém matem mais pessoas, o bônus tem desconto.

"A redução devia ser regra, não decisão do secretário, que pode estar sujeito a pressões das corporações", defende Carolina Ricardo, do Instituto Sou da Paz. "Há outras maneiras de analisar se, de fato, há aumento profundo da violência contra a polícia."

Procurada, a SSP disse que não aplicou o redutor, pois as mortes foram em confronto. "O índice de criminosos que morreram é de 18%, enquanto a vida de 82% foi preservada. O confronto nunca é opção do policial, mas do criminoso." Nos últimos três dias, houve ao menos três mortes por policiais de folga em tentativas de assalto no Estado.

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