Lava Jato já alcançou 40 funcionários da Petrobras

Por Metro Jornal

“Falando na corrupção envolvendo contratos da Petrobras, que é basicamente o foco em Curitiba, eu acredito que boa parte do trabalho já foi feita”, disse o juiz Sérgio Moro ao programa Roda Viva, da TV Cultura, no final de março deste ano, fazendo um balanço dos mais de 4 anos de operação Lava Jato.

Este discurso de Moro – repetido pelo magistrado em outras entrevistas e eventos públicos – se baseia no fato de que a investigação já alcançou os principais diretores, empreiteiros e operadores envolvidos no esquema. Os números, porém, mostram que a Lava Jato ainda se expande dentro da estatal, segundo um levantamento do Metro Jornal.

No ano inaugural, em 2014, três ex-funcionários foram envolvidos – seja com prisão, delação premiada, denúncia ou condução coercitiva, quando a pessoa é levada a depor. Em 2015 surgiram mais 8 nomes.

Em 2016 outros 6. Ano passado bateu o recorde: 19 ex-funcionários apareceram nas investigações pela primeira vez. E 2018 viu na 51ª da operação, na última terça-feira, a prisão de novos 4 nomes ligados à empresa. No total, 40 ex-empregados, de um ex-presidente até cargos de segundo e terceiro escalão, já passaram pelas mãos de Moro.

Mais da metade (23) a partir de 2017, quando a operação já se aproximava da 40ª fase. A impressão de que a maioria das investigações ficou para trás se deve à dinâ- mica da Lava Jato, que atuou, hierarquicamente, “de cima para baixo”: na estatal, chegou-se primeiro ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, arrastado para a mira da PF (Polícia Federal) por suas ligações com o doleiro Alberto Youssef.

Primeiro delator de peso da Lava Jato, Costa abriu um leque que permitiu à força-tarefa alcançar com rapidez a alta cúpula da Petrobras, e até a metade de 2015 os outros grandes quatro nomes – os ex-diretores Renato Duque, Nestor Cerveró, Jorge Zelada e o ex-gerente Pedro Barusco – já estavam envolvidos. Superada essa etapa, a investigação tem usado detalhes de delações para revelar crimes específicos em diferentes obras da Petrobras.

Deflagrada na semana passada, a 51ª fase, por exemplo, é voltada a gerentes responsáveis por um único contrato da Odebrecht com a estatal. Mas atinge, por tabela, nomes de políticos com foro privilegiado, o que confere importância aos casos e deve vitaminar as apurações de Curitiba por tempo indeterminado.

 

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