Mães de coração: quando o sentimento supera tudo

Por Carolina Avolio/Portal da Band

Elas não deram à luz, mas ofereceram algo muito mais valioso a seus filhos: amor incondicional.Essas mulheres se definem como “mães de coração” e viram o amor materno mudar suas trajetóriasnas situações mais inesperadas. Conheça a história de três mulheres cujas vidas sofreram uma reviravolta completa em nome de um sentimento superior a todas as dificuldades.

Carolina Maruyama tinha 19 anos quando sua mãe, Jane, morreu devido a um câncer de mama. Com a dor da perda, ela viu outro sentimento florescer: o amor maternal pela irmã caçula, Natalia, que tinha 9 anos na época. “Eu não sabia o que ia acontecer a partir daquele momento, mas sabia que deveria ser forte e ensinar minha irmã a ser forte também, porque foi isso que aprendemos com nossa mãe”, contou Carolina.

Quinze dias após a morte de Jane, aconteceu mais uma reviravolta na vida da família, com a aprovação da irmã mais velha na Faculdade de Medicina de Marília, a 460 quilômetros do local onde residiam, a Zona Norte de São Paulo. “A última coisa que minha mãe me disse foi que eu deveria correr atrás dos meus sonhos, e eu decidi me mudar para Marília”, explicou.

Em vez de afastar as duas irmãs, a nova fase de Carolina teve exatamente o efeito oposto. “Eu quis ser sempre presente na vida dela, afinal, eu sabia como ninguém a dor que era perder uma pessoa tão amada. Todos os dias nos falávamos diversas vezes, eu ajudava a Nati a estudar, dava bronca quando ela fazia algo errado, conversávamos sobre tudo. Mesmo longe, estávamos sempre juntas”, afirmou Carolina. “Nesse período, a única pessoa que me fazia me sentir bem era a minha irmã”, revelou Natalia, que ficou morando em SP com o pai. “Fomos dando o nosso jeito de ficarmos próximas e, quando eu reparei, havia começado a chamá-la de irmã-mãe, porque ela era isso para mim.”

A distância se tornou apenas um detalhe comparada à força dessa relação tão única. “A Carol cuidou de mim, se preocupou comigo como uma mãe e foi o carinho que faltava na minha vida. Mesmo longe, minha irmã foi uma mãe perfeita para mim, ela me deu tudo o que precisei”, completou Natalia. “A saudade de nossa mãe bate forte, mas cada uma tem um pedacinho dela em si mesma e só somos completas assim, juntas”, concluiu Carolina.

“Desisti de tudo para ficar com o meu filho”

Prestes a realizar um sonho. Era assim que Ana Paula Souza, de 39 anos, definia sua vida pouco antes da chegada de Enzo Rafael. “Estava tudo certo para nos mudarmos para Portugal – eu, meu marido e meus quatro filhos. Queríamos que as crianças tivessem oportunidades de estudo que não podíamos ter no Brasil”, relatou ela. Todos os preparativos estavam prontos e a partida da família rumo a seu novo país era certa, até uma ligação mudar todo o destino de Ana.

“Me ligaram do hospital falando que o filho da minha sobrinha estava precisando de cuidados que a mãe dele não provia”, contou. O bebê, na época com apenas cinco meses, estava internado há 15 dias com um quadro grave de bronquiolite. “As enfermeiras viram que a mãe dele não proporcionava os devidos cuidados e acionaram o Conselho Tutelar. Como eu era o parente mais próximo, eles entraram em contato comigo.”

No início, Ana Paula pensou que se tratava de uma visita rápida para tirar o menino do hospital, mas foi surpreendida. “Fui ao hospital ver o que estava acontecendo e os representantes do Conselho Tutelar sentaram comigo e com meu marido para conversar”, lembrou. Ana foi informada que caso não pudesse se responsabilizar pela criança, ela seria encaminhada a um abrigo. “Foi um choque, não imaginei que eles me diriam isso”, confessou. Mas o coração de mãe falou mais alto e Ana Paula não hesitou. “Conversei com meu marido e decidimos deixar tudo para trás. Engavetamos nosso sonho de morar fora e mudamos todos os nossos planos pelo Enzo”. Segundo Ana, bastou olhar nos olhos do bebê para saber que foi a decisão certa.

Mesmo não sendo mãe de primeira viagem, a experiência da adoção foi diferente de tudo que ela já havia vivido. “Como estávamos de partida, já havíamos pedido demissão de nossos trabalhos. Tivemos que recomeçar a vida no Brasil”. Apesar da dificuldade em retomar a vida e a adaptação da família a seu mais novo membro, a mãe afirmou que o amor foi mais forte do que tudo. “É um sentimento tão profundo que hoje não consigo me ver sem o Enzo”, completou.Ana Paula e Enzo Rafael
Ana Paula comemorando o 1º aniversário de Enzo Rafael (Foto: Arquivo Pessoal)

“A minha filha de coração foi o meu grande amor”

Odete Guimarães, de 58 anos, viu o amor maternal tomar conta de sua vida em uma situação inesperada. Sua história começa com um difícil divórcio por causa de uma traição. “Descobri que meu marido estava com outra mulher, que inclusive estava grávida, e decidi me divorciar”, contou. Dois anos depois da separação, Odete encontrou a criança pela primeira vez. “Naquele momento, eu havia ficado constrangida porque a Juliane era fruto de uma traição. Mas também observei que ela era autista e, além disso, não andava e nem falava.”

Juliane, então com apenas 2 anos, havia sido abandonada por sua mãe, e estava sob os cuidados do ex-marido de Odete. “Ele me pediu ajuda para cuidar da menina, levá-la ao médico para que ela pudesse ser tratada. Na época, eu concordei, porque eu já tinha dois filhos, sabia como era difícil e quis ajudá-lo”, revelou. “Eu cuidei da Juliane e aprendi a amá-la como amava a meus próprios filhos.”

A menina morou com Odete por quatro anos e, depois disso, a saudade se mostrou o maior desafio. “Com seis anos, ela foi morar com a avó materna e de vez em quando vinha me ver. Cada vez que ela ia embora, era um sofrimento terrível para mim. Nossa relação era de muito amor e muita dedicação.”

Esse era apenas o começo da saudade que Odete sentiria de sua filha de coração. “Aos 13 anos, Juliane teve uma infecção dentária que demorou muito para ser diagnosticada. A infecção se espalhou, atingiu o coração e ela não resistiu”, lembrou emocionada. “Não conseguia acreditar que ela havia ido embora para sempre, mas a tenho no meu coração até hoje. Sinto muita falta dela e tenho muito orgulho de ter sido mãe de coração da Juliane. Sei que nosso amor é eterno.”

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