Consórcio Intermunicipal do ABC está cada vez mais fraco

Reuniões esvaziadas, fim de repasse de São Caetano e abandono de Diadema ligam alerta na entidade

Por Metro Jornal

A ausência de prefeitos se tornou comum nas assembleias do Consórcio Intermunicipal do ABC. Na terça-feira, o chefe do executivo de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), que estava em agenda da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), no Rio de Janeiro, e Gabriel Maranhão (sem partido), prefeito de Rio Grande da Serra, não participaram do compromisso.

Neste ano, nenhuma das reuniões contou com a presença dos seis líderes municipais – Diadema abandonou o colegiado em outubro do ano passado.

Outro sinal de enfraquecimento do grupo é que Auricchio, inclusive, sancionou na quinta-feira a lei que colocou fim ao repasse de cerca de R$ 1,2 milhão que seria realizado este ano da cidade para o Consórcio. A iniciativa abre caminho para que São Caetano deixe o Consórcio, a exemplo do que fez Diadema em 2017.

O presidente da entidade e prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), disse que não vê problemas nas ausências e descarta possível esvaziamento na entidade. “Estamos com o procedimento normal e não vejo nenhuma animosidade em andamento”, disse.

História
O Consórcio Intermunicipal do ABC foi criado em 1990 e idealizado pelo ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT, morto em 2002). Entre as conquistas da entidade está a construção do Hospital Mário Covas, em Santo André

Morando alertou que se São Caetano parar de subsidiar a entidade não poderá deixar a instituição. “Enquanto estiver consorciada, o não repasse torna a prefeitura inadimplente. Acredito que o Auricchio buscará a melhor solução para resolver esse impasse que a Câmara criou”, disse. A lei sancionada foi criada pelo Legislativo. 

Em Rio Grande da Serra, vereadores também demonstraram desconforto com a entidade. A expulsão de Maranhão do PSDB após apoiar o governador Márcio França (PSB) publicamente também acirrou as relações regionais.

Há também projetos abandonados pelo grupo de prefeitos, como a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) com dados do ABC e a regionalização das campanhas de saúde, realizadas contra a dengue e o vírus Influenza em outras gestões. No início do ano, o Consórcio afirmou que iria definir de forma regionalizada o reajuste das tarifas de ônibus, o que aconteceu de forma individualizada.

Tunico Vieira é empossado como secretário executivo

O ex-vereador de São Bernardo Tunico Vieira (MDB) foi empossado como secretário executivo do Consórcio Intermunicipal do ABC, posto que estava ocupado interinamente pelo advogado Uriel Carlos Aleixo há cerca de um mês, após a saída de Fabio Palacio (PSD). “É um desafio”, disse Vieira.

A reunião dos prefeitos também definiu a transferência do convênio de instalação da Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) na região para a Fundação de Medicina do ABC. O assunto estava com Auricchio, que justificou ausência e mandou por escrito a decisão, acatada pela assembleia.

Diadema saiu do Consórcio em 2017

Após 27 anos de existência do Consórcio Intermunicipal do ABC, Diadema foi a primeira cidade a sair da entidade regional, em outubro do ano passado.

Foi em março de 2017 que o prefeito Lauro Michels (PV) começou a dar os primeiros sinais de que deixaria o Consórcio, alegando que o repasse financeiro prejudicava as contas públicas da cidade. No mês seguinte, o gestor formalizou e enviou o pedido de desligamento ao Legislativo para votação, que foi aprovado. 

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