MP apura ameaças contra o padre Júlio Lancellotti

Por André Vieira - Metro Jornal São Paulo

Religioso com destacadas ações sociais e coordenador da pastoral do povo de rua de São Paulo, o padre Júlio Lancellotti tem recebido ameaças de morte e violência.

As postagens nas redes sociais, com intimidações diversas, como “morte ao padreco” e “morte ao padre Júlio”, além de incitações para que seja agredido, estão agora na mira do MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

O Núcleo de Combate à Crimes Cibernéticos instaurou quarta-feira investigação para apurar as denúncias, apresentadas por advogados e entidades de Direitos Humanos, que monitoraram e compilaram as ameaças.

Segundo a representação, as mensagens foram postadas em páginas que reúnem moradores e comerciantes do bairro da Mooca, zona leste, onde o padre comanda a paróquia São Miguel Arcanjo.

“Essas ameaças e incitações de violência, além de calúnias, injúrias e difamações, estão vinculadas ao trabalho do padre com a população de rua”, afirmou o coordenador da Comissão da Infância e Juventude do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, Ariel de Castro Alves. “As pessoas não compreendem o trabalho de apoio e associam os crimes que ocorrem na região aos moradores de rua.”

Lancellotti é crítico das políticas públicas que diz “infantilizarem” os sem-teto “sem resolver o problema da moradia” e costuma denunciar casos de abuso de autoridade, como abordagens violentas.

Com 69 anos e há mais de três décadas se dedicando aos moradores de rua e a outros grupos marginalizados, como adolescentes infratores e pessoas com HIV, o padre está acostumado com ameaças, mas entende que as intimidações se tornaram mais violentas nas últimas semanas, por conta do “ódio que circula nas redes sociais”.

“São ameaças e insultos explícitos, mas a minha preocupação é que esse ódio se jogue contra o morador de rua”, afirmou Lancellotti.

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