Ele era querido por todo mundo, diz mulher de Anderson Gomes

Por Carolina Santos

A funcionária pública Ágatha Arnaus Reis falou em entrevista sobre Anderson Gomes, seu marido assassinado enquanto dirigia o carro com a vereadora Marielle Franco na última quarta-feira, dia 14.

"Meu marido era sempre alegre, uma pessoa muito calma. Ele ajudava os amigos, a família e era querido por todo mundo", disse em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, neste domingo.

"Nos conhecemos em uma festa. Ele me ligou e disse que tinha sido por engano. Nós moramos perto, no mesmo bairro. Fomos conversando e a gente começou a sair. Pouco mais de um ano depois, ele me pediu em casamento", relembrou.

Pais de Arthur, de apenas um ano, a funcionária pública revelou que o motorista era bastante esforçado. "Passamos vários percalços para ter o Athur. Foi uma luta. Ele nasceu com o fígado dentro do cordão umbilical e foi operado dois dias depois", contou.

Trabalhando como motorista particular através de aplicativos, Anderson priorizava o trabalho noturno. "Ele rodava à noite para ficar com o Arthur de manhã. Ele era louco pelo Arthur, era tudo o que ele queria na vida. Ele fazia tudo pelo filho sem reclamar. O Anderson era a nossa rocha", disse. Ao mesmo tempo, o motorista procurava emprego como mecânico de aviões. "Era o seu sonho", completou.

Ágatha foi informada da morte do marido pela sua irmã. "Fui acordada por ela, pedindo para eu abrir a minha porta. Imaginei que tinha acontecido alguma coisa. Quando ela me contou, percebi que eu iria ficar sem chão por muito tempo", afirmou.

Antes do assassinato, a funcionária pública tinha conversado com Anderson. "A gente tinha se falado por volta das 20h, pelo celular, sobre o Arthur. Porque a gente ia levar ele para uma consulta no outro dia de manhã", explicou.

Ainda abalada com a tragédia, Ágatha espera que a morte do seu marido provoque mudanças na sociedade. "Se a morte dele mudar, qualquer coisa que seja, vai ter significado, vai ter importância. Eu acredito que as coisas vão mudar. Não tem como desistir, é luta sempre. É esperança que as coisas vão melhorar sim, que tem caminho, que tem solução. Que a gente não vai ficar abandonado para sempre", finalizou.

Marielle
Nascida no Complexo da Maré, Marielle Franco era socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016.

Trabalhou em organizações da sociedade civil como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Também coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio. No primeiro mandato, Marielle era presidente da Comissão Mulher da Câmara dos Vereadores do Rio.

Marielle foi assassinada na noite de quarta-feira com quatro tiros na cabeça, quando ia para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, retornando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa.

A parlamentar viajava no banco de trás do carro, quando os criminosos emparelharam com o carro da vítima e atiraram nove vezes.

Além da vereadora, também morreu no ataque Anderson Gomes, que trabalhava como motorista para o aplicativo Uber e prestava serviços eventuais para Marielle. Uma assessora que também estava no carro sobreviveu ao ataque.

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