SP qualificará usuários da Cracolândia com bolsa de até R$ 667

Por André Vieira

A Prefeitura de São Paulo vai substituir a chamada “bolsa varrição” por novo programa de qualificação profissional para os usuários de drogas da Cracolândia, no centro, que prevê 20 horas semanais de atividades com auxílio financeiro de até R$ 667 mensais.
O edital para selecionar a entidade que desenvolverá o programa deverá ser lançado nesta semana. A expectativa é de que as ações comecem mês que vem.

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Segundo a secretária de Trabalho e Empreendedorismo, Aline Cardoso, o novo programa é parte do Redenção – plano da gestão do prefeito João Doria (PSDB) para combater o crack – e beneficiará 300 usuários.

Pelo período mínimo de seis meses – podendo ser prorrogado –, os usuários terão 4 horas semanais de acompanhamento psicológico, 8 horas semanais de capacitação profissional e mais 8 horas semanais de atividades práticas, em frentes de trabalho.
Os participantes receberão auxílio de até R$ 667, mas só terão o valor integral aqueles que atingirem metas de desenvolvimento e frequência.

Segundo a secretária, haverá uma espécie de processo seletivo, em que serão selecionados, após avaliação das equipes do Redenção, os usuários de drogas em estágio mais avançado de tratamento e com mais chances de absorverem as atividades.

“A reintegração à sociedade é parte importante do tratamento do dependente químico e a recolocação profissional é um desses pilares. O nosso programa tem um objetivo claro, que é o de aumentar a empregabilidade destes usuários, portanto, é preciso cobrar deles que tenham frequência e alcancem resultados.”

A falta de supervisão, segundo a secretaria, é uma das falhas do programa hoje em funcionamento e que será encerrado em 31 de março, com o fim do contrato. A chamada ‘bolsa varrição’, criada na gestão passada, oferece auxílio de R$ 500 em atividades como limpeza de rua, reciclagem e zeladoria.

“Atualmente, são 265 beneficiários e a maioria não atinge a frequência mínima nem sequer tem a sua evolução avaliada. Há casos de participantes que continuam usando crack de cinco a sete dias por semana. Não é possível esperar que sejam absorvidos pelo mercado de trabalho”, afirmou a secretária Aline Cardoso.

Entidade nega falta de supervisão

Parceiro da prefeitura e responsável pelas atividades profissionalizantes com na Cracolândia, a Adesaf (Associação de Desenvolvimento Econômico e Social às Famílias) negou que as atividades são realizadas sem supervisão ou acompanhamento.

O programa tem sete frentes de trabalho e conta “com equipe qualificada (composta por técnicos, educadores, supervisores e gestores pedagógico e operacional etc), metodologia eficiente e reconhecida internacionalmente na linha de redução de danos, além de plano de trabalho estratégico, com metas, ambos aprovados pela prefeitura.

A entidade classificou as atuais políticas públicas para tratamento dos dependentes da Cracolândia como retrocesso. De acordo com a Adesaf, 63 beneficiários foram inseridos no programa Trabalho Novo, iniciativa da gestão Doria. Destes, 37 concluíram o curso, 11 foram encaminhados para empresas privadas e quatro foram admitidos, mas não passaram pelo período de experiência – o que reforça, segundo e entidade, a necessidade de programas que atendam o perfil das pessoas que fazem uso crônico de drogas.

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