Mulheres de Coragem: Assédio em casa

Por Metro Jornal

Quando se pensa em violência sexual, geralmente a primeira imagem que vem à cabeça é uma mulher andando sozinha na rua, tarde da noite. Esquece-se que, na maioria dos casos, o agressor conhece a vítima. Muitas vezes, é uma pessoa próxima a ela.

Para a série de reportagens "Mulheres de Coragem", nós ouvimos três histórias de mulheres paulistanas com perfis, idades e áreas de atuação diferentes. Todas foram vítimas do machismo. E todas deram a volta por cima, cada uma a sua maneira.

Esta é a terceira.

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G*, 20 anos, estudante de moda

Terminar um relacionamento nunca é fácil, ainda mais quando a convivência é quase impossível de ser evitada. Depois de um ano e meio de namoro, é difícil cortar de uma vez o contato com o ex.

"Ele ainda visitava minha casa e nós conversávamos. Em um dia depois da escola, começamos a ficar", contou. Mesmo com os pedidos da jovem para que ele parasse de tentar penetrá-la, o rapaz insistiu. "Perguntei se ele não tinha me ouvido, fiquei muito nervosa, com vontade de chorar."

"Ele começou a pedir desculpas sem parar e a tentar me beijar pra me acalmar. Eu falei que estava tudo bem, mas continuava muito nervosa."

A noção do que havia acontecido veio anos mais tarde. "Foi mais ou menos no começo dessa onda de feminismo na internet. Achei muita coisa falando sobre relacionamento abusivo e como estupro poderia acontecer com alguém em quem eu confiava, não apenas com pessoas desconhecidas, e mesmo depois de ter dito 'não'."

Em relatos de outras mulheres, G* encontrou sua rede de acolhimento. "Foi uma luta bem solitária, principalmente porque eu não queria aceitar."

Até que no ano passado, uma amiga da estudante estava organizando uma campanha para arrecadar itens para mulheres em situação de rua. Além de roupas, alimentos e produtos de higiene pessoal, a ideia era doar também acessórios e maquiagem, na intenção de "dar um pouco de humanidade a elas". Foi aí que G* decidiu vender todos os presentes que havia ganho do ex e doou o dinheiro à amiga.

Desde então, ela faz acompanhamento psicológico e procura encorajar outras mulheres a sair de situações como a que ela já esteve. "Tenho certeza de que essa conscientização, saber que não está sozinha ajuda muito."

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