'Tatuagens eram como um escudo', avalia criadora de campanha contra assédio no Carnaval

Por Metro Jornal

"Não é não": a frase esteve estampada em tatuagens temporárias nos corpos de mulheres em sete cidades brasileiras no último Carnaval. A mensagem poderosa buscou mostrar para foliões em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Olinda e Brasília que não importa a situação: ninguém está para brincadeira quando se trata de assédio.

Neste ano, foram distribuídas mais de 25 mil tattoos, número seis vezes maior que os da edição anterior. Para uma das criadoras da campanha, Luka Borges, de 28 anos, a repercussão não poderia ter sido mais positiva. A procura foi tanta que houve casos em que não havia desenhos suficientes para atender a demanda.

Luka conta que as mulheres foram incentivadas a contar suas experiências no Carnaval. "Tem relatos muito emocionantes sobre como elas se sentiram em contato com outras mulheres e como alguns homens pareciam respeitá-las mais por estarem com as tatuagens. Claro que também houve aquelas que sofreram com piadas e ofensas, mas as experiências positivas foram maioria."

"A grande maioria [dos relatos] foi de um sentimento maior de segurança depois da tatuagem, como se ela fosse uma espécie de escudo" — Luka Borges, da campanha contra o assédio "Não é não!"

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Agora, o objetivo é expandir ainda mais a campanha, a começar pela busca por parceiros para a criação de um site. "Estamos pensando em como nos afirmar como coletivo em 2018. A gente entende que é um trabalho de conscientização e educação em diferentes espaços que precisa acontecer o ano todo. O assédio e a violência contra a mulher não acontecem só no Carnaval."

Denúncias

"A revolução será feminista ou não será". Com esse pensamento, mulheres de todo o mundo conseguiram abalar as estruturas da indústria cinematográfica, do mundo dos esportes, da moda e de muitas outras áreas onde o machismo ocorria de maneira velada. Pela hashtag #MeToo, elas trouxeram a tona seus relatos de assédio e abuso sexual e incentivaram muitas outras a fazerem o mesmo.

Para Luka, as denúncias não devem parar, mas o movimento feminista deverá pensar em como quantificar essas informações e, assim, conseguir cobrar do poder público ações mais efetivas. "O respeito à mulher precisa vir de uma mudança de cultura. Isso só acontece por meio da educação, da conscientização. Os relatos vêm nesse sentido. Só falando o quanto o assédio é comum que se cria a noção de que isso não pode mais acontecer."

Corinthians

Nesta noite, o jogadores do Corinthians irão vestir camisetas com as frases "Não é não" e "Respeita as minas", buscando sensibilizar a sociedade para o combate ao assédio sexual e a violência contra a mulher. Além disso, as tatuagens feministas também serão distribuídas na Arena. Veja o teaser da ação:

 

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