Temer é 2º presidente que mais usou Forças Armadas nos ministérios

Por Marcelo Freitas/Metro Brasília

Menos terno e gravata, mais farda. Michel Temer se cercou de militares e só perde para Itamar Franco, até hoje o presidente que mais recorreu às Forças Armadas na montagem da equipe de governo após a redemocratização.

Em relação aos outros cinco ex-presidentes desde 1985, Temer foi além da costumeira presença de militares na segurança pessoal e no comando de Marinha, Exército e Aeronáutica. Pela primeira vez em 19 anos colocou um militar, o general Joaquim Silva e Luna, como ministro – ainda que interino – da Defesa, órgão criado em 1999 para ser o elo dos civis com militares.

Itamar colocou oficiais como auxiliares diretos, no Ministério dos Transportes e na extinta Secretaria de Administração Federal.

Temer, porém, tem tomado outras decisões que agradam a caserna. No mesmo andar do gabinete presidencial está o general Sérgio Etchegoyen, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), que, além da função militar, é uma espécie de conselheiro de Temer. A Secretaria Nacional de Segurança Pública também é ocupada por um militar: o general de reserva do Exército Carlos Alberto Santos Cruz – ex-comandante da missão de paz da ONU no Haiti –, que também acumula a secretaria-executiva do recém-criado Ministério da Segurança Pública.

O uso das Forças Armadas em 11 GLOs (Garantia da Lei e da Ordem) no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Espírito Santo; e a nomeação do general Walter Braga Netto como interventor da segurança pública do Rio também foram consideradas demonstrações de respeito e prestígio.

Outros governos

Os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso ainda contaram com ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Após a criação do Ministério da Defesa e do GSI, ambos no governo FHC, a presença se restringiu a funções militares, não mais civis.

Antes de Temer, Dilma Rousseff concedeu a diretoria-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para o general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, aproveitando a expertise na divisão de obras de engenharia do Exército. O militar foi investigado acusado de facilitar a atuação de uma ONG em contratos com o Ministério dos Transportes e deixou o cargo criticando a burocracia pela falta de resultados.

Lula foi o presidente que tomou a decisão que deixou os militares mais ressabiados: colocou um comunista no comando da Defesa, Aldo Rebelo. A desconfiança, porém, se dissipou e o ex-deputado foi avaliado internamente nos quartéis como mais eficiente que, por exemplo, os diplomatas também nomeados pelo petista: José Viegas e Celso Amorim, considerados burocráticos.

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