Prefeitobook: políticos transformam rede social em plataforma de diálogo com moradores

Por Vanessa Selicani / Metro ABC

Eles trocaram os palanques pelas redes sociais e transformaram seus perfis individuais em grandes balcões de queixas e pedidos dos moradores. Os prefeitos do ABC são figuras cada vez mais constantes no mundo virtual, onde conseguem reunir até 65 mil visualizações em apenas uma “live” (vídeo ao vivo) no Facebook.

Para o morador, trocar mensagens diretas com o governante também parece ser um bom negócio. Os prefeitos mantêm equipes próprias para responder os questionamentos e prometem checar informações.

Ao menos uma vez por semana, os três prefeitos do ABC aparecem em vídeos ao vivo para conversar com a população. Orlando Morando (PSDB), de São Bernardo, coloca até mesmo secretários nas “lives” em caso de dúvidas e vez ou outra os filhos e esposa dele aparecem nas transmissões. A comunidade pessoal do prefeito no Facebook possuía até a tarde de ontem 63 mil seguidores.

Mas o campeão em popularidade é o prefeito de Santo André, Paulinho Serra (PSDB). A página pessoal dele alcançava 64 mil seguidores até ontem.

Já o de São Caetano, José Auricchio Júnior (PSDB), que diferentemente dos outros dois já havia ocupado o cargo para outros dois mandatos, é mais tímido em público e aparições. Ele possui 17 mil seguidores.

Quem aproveita para “surfar na onda” da grande participação virtual são as páginas oficiais das prefeituras. Em Santo André, por exemplo, foram 13 mil mais curtidas entre 2016 e 2017.  No mesmo período, São Caetano também viu sua popularidade crescer: 23 mil curtidas a mais, contando a página da prefeitura e as mantidas por algumas secretarias.

Santo André e São Caetano mantêm três servidores cada uma para abastecer as páginas oficiais – eles respondem aos comentários. Mas por serem funcionários públicos, podem atuar apenas na conta da prefeitura, e não na pessoal do prefeito.

Conheça os perfis dos prefeitos do ABC nas redes sociais:

Mais acesso à informação, menos mobilização real

Mas se falar com o prefeito parece ter ficado mais acessível, o nível de mobilização da população também ganha cara nova. O cientista político e professor da UFABC (Universidade Federal do ABC)  Cláudio Luís de Camargo Penteado afirma que as redes sociais abrem espaço para demandas bem mais individuais.

“Há uma característica positiva neste processo que é a possibilidade de se ter um diálogo que não existia. Ao contrário da mídia tradicional, o morador pode cobrar e pedir diretamente. O efeito negativo é pensar que se esvaziam as formas de participação tradicional e a questão de pensar o bem comum. A rede é uma forma de comunicação muito individual. A maioria dos cidadãos vai querer algo para seu benefício.”

Mas o professor alerta que a descoberta de uma “cidade virtual” era inevitável. “A ferramenta é importante, ainda mais em cidades que vivem à sombra da Grande São Paulo na comunicação, como o ABC”, disse.

Penteado lembra que, apesar de aumentar a visibilidade, o prefeito precisa aprender a lidar com o público para não prejudicar sua imagem. “A questão para o político é sempre um dilema. Tem que ter visibilidade, mas precisa gerenciar isso. Um efeito que complica ainda mais este ponto é o momento de radicalização de opiniões que vivemos, que leva a conflitos nem sempre positivos.”

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