Funk, axé e até samba-enredo estão proibidos no Carnaval de cidade do interior de São Paulo

Por Estadão Conteúdo

Estilos musicais como o axé, frevo, funk e samba-enredo não terão vez no Carnaval de São Luiz do Paraitinga, cidade turística do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. Decreto assinado em janeiro deste ano pela prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB) não deixa dúvida.

"A música oficial do Carnaval de São Luiz do Paraitinga é a marchinha, ficando, portanto, proibida a propagação de outros gêneros musicais no centro histórico e demais áreas delimitadas para o evento, durante os dias de carnaval", determina em parágrafo único.

A banda ou carro de som que produzir outro tipo de ritmo pode ser multada em R$ 1.028, valor que dobra na reincidência. O secretário da Cultura Netto Campos diz que a decisão respeita uma tradição local. "Nosso Carnaval é famoso pelas marchinhas criadas aqui, durante nossos festivais, e o turista vem para a cidade com essa expectativa. Não tem sentido abrir mão de algo tão tradicional", disse. No ano passado, em razão da crise econômica do País, a cidade não teve verba para o carnaval. A folia voltou este ano cheia de regras.

O decreto limita o desfile de blocos e apresentação de bandas entre as 20h e 24h – nesse horário, serão fechados os bares que vendem bebidas. Também é proibido vender ou portar bebidas em copos ou garrafas de vidro na área do circuito carnavalesco, mesmo as cervejas em garrafa long neck. São vedados ainda venda e porte de spray de espumas e fogos de artifício. A "lei do xixi", aprovada em dezembro, multa os mijões em R$ 150.

A prefeitura criou uma taxa de ambiental, uma espécie de pedágio, para quem pretende ir motorizado à cidade. Para adentrar a área urbana, motos e similares pagam R$ 10; carros e caminhonetes, R$ 25; vans R$ 50; caminhões e micro-ônibus, R$ 75, e ônibus R$ 150. Quem vai estacionar o veículo na rua deve pagar, ainda, a zona azul válida por um dia, que é de R$ 25 para motos; R$ 100 para carros de passeio e R$ 500 para ônibus.

Mesmo com essas restrições, a cidade espera 150 mil carnavalescos, quase dez vezes a população local. A partir de sexta-feira, 9, às 20h, com o Bloco do Lençol, e até terça, 13, às 22h, com o Bico do Corvo, 28 blocos vão percorrer as ruas de paralelepípedo do centro histórico

Entre eles estão o Juca Teles, um ícone da cultura local, e outros como Rei Canário, Espanta a Vaca, Pé na Cova e Pai do Troço. O trajeto começa no Centro Histórico e termina no Centro de Eventos, onde as bandas se apresentam.

São Luiz do Paraitinga acordou tarde para o Carnaval. Conta a história local que, chegando à cidade em 1916, o padre Ignácio Gióia proibiu as manifestações profanas, fazendo surgir o mito de que o carnaval era coisa do diabo e criava "rabo e chifre". Até os bailes de salão desapareceram.

A retomada da festa popular aconteceu a partir de 1981, com o surgimento dos primeiros blocos de rua, como o Zona do Agrião, Ovelhas Negras e Encuca a Cuca. Com os anos, a festa ganhou forte cor local – só este ano, foram criadas mais de 300 marchinhas exclusivas para o Carnaval luizense.

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