Fim de repasse pode fechar entidade social de Santo André

Por METRO ABC

O trabalho de 18 anos da Associação dos Voluntários da Saúde de Santo André, mais conhecida como as ‘Rosinhas’ do CHM (Centro Hospitalar Municipal) e do Hospital da Mulher, pode acabar. O motivo: a Prefeitura de Santo André cortou há um ano a verba de subvenção à entidade, bem como não arcou com o aluguel da atual sede, que fica na Vila Assunção. A dívida gira em torno de R$ 25 mil, diz  a entidade.

A administração municipal informou, em nota, que   “está em tratativas para viabilizar a renovação do convênio”. Segundo o Executivo, a definição do formato da parceria e demais detalhes “ocorrerá nos próximos dias”.

   Sem dinheiro em caixa, a fundadora e  presidente Aparecida Montoro Leite, a dona Cidinha, como carinhosamente é chamada pelos assistidos, não vê outro caminho a não ser encerrar as atividades da entidade. “Resgatei aqui muitas pessoas com depressão, que se curaram ao se doarem para o próximo nas nossas ações sociais. O que será dessa gente?”

   Cerca de 90 voluntários, a maioria mulheres com os tradicionais aventais na cor rosa, emprestam horas de seu tempo para levar atendimento humanizado diário nos dois hospitais e unidades da rede pública municipal – cortes de barba e cabelo nos pacientes, leitura de mensagens positivas e até mesmo aplicação de terapia reiki (técnica japonesa de relaxamento) nos usuários do Centro de Especialidades I. “As Rosinhas nos ajudam muito. Nossa, não dá nem para descrever a importância”, disse uma auxiliar de enfermagem do Pronto-Socorro do CHM.

‘Dei muita comida para os presos’

Voluntária há 17 anos na Associação dos Voluntários da Saúde de Santo André, Judith Pozitelle, 85 anos, é uma das ‘Rosinhas’ mais dedicadas à causa sem qualquer tipo de preconceito. “Dei muita comida na boca dos presos que iam ao CHM (Centro Hospitalar Municipal), que ficam algemados nas camas, com soro no outro braço. Não dá para comer sozinho”, afirma Judith, que diz não conseguir mais fazer essa atividade pelas dores nas pernas e  dificuldades no caminhar.

   Atualmente, a experiente voluntária é a responsável pela embalagem diária e criteriosa dos kits de bolachas, doces e salgadas, distribuídos aos pacientes e familiares dos dois hospitais, inclusive nas alas de atendimento ambulatorial.

Antes, a mesma função era executada pelo marido Amélio, que em março completará dois anos de morte. “Ele gostava tanto daqui”, lembrou, com saudade, Judith, que confidenciou fazer dali hoje passatempo para solidão.  

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