Em parceria com a USP, Minas testa remédios contra febre amarela

Por Metro BH

Pacientes com febre amarela em Minas Gerais têm um novo aliado para combater a doença. Em parceria com pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), o hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, vai iniciar neste mês testes nos doentes com medicamento usado para a hepatite C. O remédio foi aprovado no Brasil há três anos e será estudado no Estado e em São Paulo.

Segundo a secretaria de Saúde, o procedimento foi adotado em razão “da semelhança observada entre o vírus da hepatite C e o da febre amarela”. Os trabalhos acontecem por uso compassivo, que é  “a utilização de um medicamento com indicação de uso para um tipo de doença, mas, mediante análise da equipe médica e autorização dos familiares do paciente, ele é empregado em outras doenças, como alternativa de tratamento”, enfatizou a pasta. O Executivo não deu detalhes sobre a quantidade de pessoas que serão tratadas com o medida.

O antiviral também foi testado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) no ano passado contra o zika vírus e, conforme a entidade, é eficaz para tratar a doença transmitida pelo Aedes aegypti. O uso de uma medicação em tratamento alternativo precisa de autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Por nota, o órgão disse que não recebeu nenhuma solicitação para estudos.

‘Medida de desespero’

Para o patologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo Rogério Alves, a nova medicação para a febre amarela é uma medida de desespero. “É uma doença grave, que pode se alojar no fígado, coração e sistema nervoso. O correto seria testar o medicamento primeiro em não humanos, fazer estudos e saber a real ação dele no organismo infectado. A hepatite é mais crônica, já a febre amarela mais aguda.”

Já a professora do Instituto de Ciências Biológicas Giliane Trindade explicou que o medicamento ajuda a bloquear a replicação do vírus da doença. “Eles pertencem à mesma família da hepatite C e provavelmente é por esse motivo que o remédio vem sendo usado. É o mesmo caso dos humanos e dos macacos, que são primatas. Apesar de serem espécies distintas, têm várias semelhanças.” 

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