Os estrangeiros que estão repaginando São Paulo com novos sotaques, sabores e culturas

Por Carlos Minuano - Metro Jornal
Os estrangeiros que estão repaginando São Paulo com novos sotaques, sabores e culturas
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A face globalizada, multiétnica e cosmopolita da capital paulista já foi tantas vezes celebrada no cancioneiro popular brasileiro, por exemplo na canção “Vaca Profana” de Caetano Veloso: “São Paulo é como o mundo todo”.  Essa terra de muitos sotaques, de tantos sabores, de todas as culturas, segue expandindo seus territórios estrangeiros.

Números recentes sobre novas levas de imigrantes e refugiados ajudam a visualizar os contornos e o perfil dessa mais recente expansão: já são mais de 385 mil estrangeiros no município de São Paulo, segundo dados de 2016 da Polícia Federal. “São Paulo é hoje uma das principais portas de entrada no país, por isso nossa atuação aqui não para de crescer”, afirma a chefe do escritório da ONU (Organização das Nações Unidas) para os refugiados em São Paulo, Maria Beatriz Nogueira.

Entretanto, os números específicos de refugiados no município estão desatualizados. Parte dos dados obtidos pelo Metro são referentes aos anos de 2013 e 2014, de um relatório do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados). A partir de 2015 o órgão interrompeu a estatísticas com recorte municipal. As informações de 2016 são da Caritas Arquidiocesana (principal e mais antiga instituição no atendimento aos refugiados em São Paulo).

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Números de 2017 devem ser conhecidos com a divulgação do relatório Acnur Global, da agência da ONU para refugiados, que está sendo produzido e deve ser divulgado próximo ao Dia do Refugiado (em 19 de junho).

“O mundo assiste a maior situação de deslocamento forçado da história, são mais de 65 milhões de pessoas em situação de refugio”, afirma Maria Beatriz.

“Certamente isso tem reflexos em todos os países do mundo”. No cenário nacional, a Venezuela é o país de origem da maior parte das pessoas que pedem refúgio no Brasil. Do total de 33.865 solicitações de 2017, 17.865 eram de venezuelanos. Número que representa 52,75% do total, segundo dados do Ministério da Justiça.

Apesar de ser um dos principais destinos de refúgio no país, São Paulo, considerando o movimento observado em 2016 não parece ter venezuelanos entre principais países de origem de novas chegadas ao município. Segundo a Caritas Arquidiocesana, por aqui, o maior fluxo de refugiados vem da África (Angola, Nigéria e Congo), tendo em quarto lugar a Síria.

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O perfil muda um pouco conforme a região, uns fogem de ditaduras, guerras, outros da miséria e da fome. Um ponto parece ser comum a todos: a vontade de recomeçar.

Haitianos passam a trazer famílias

No ano passado, pela primeira vez, os haitianos apareceram no “top 10” das maiores comunidades estrangeiras de São Paulo, segundo levantamento da SPTuris. Foram contados 14.149 nativos daquele país morando na cidade, na oitava posição do ranking.

Se antes chegavam sem conhecer ninguém na cidade, a maioria amparada na Missão Paz, no Glicério (centro), hoje boa parte vem de avião, sem fugir, com mais recursos e encontra uma rede de proteção que ajuda na inserção deles na capital, explica o padre Paolo Parise, da missão.

“É uma segunda leva que está vindo agora. Aumentou muito a proporção de mulheres chegando, os que tinham vindo para cá conseguiram trazer suas esposas, filhos, com carta-convite conseguida legalmente para fazer a reunificação familiar”, afirma o padre.

A inserção dos haitianos na cidade é tão marcante que, no ano passado, uma banda formada por nascidos no Haiti tocou na Virada Cultural: a Satellite Music Band, que toca o kompás, ritmo de seu país.

Para a historiadora Cláudia Coelho Hardagh, professora do Mackenzie, o alto número de haitianos que veio para o Brasil também se explica pela parceria estabelecida na missão de paz que o Exército brasileiro levou a cabo naquele país. 

Uma longa história de fluxos imigratórios

Centro de São Paulo na década de 1950 Centro de São Paulo na década de 1950 / Folhapress

Entre 2001 e 2017, 292.288  estrangeiros escolheram São Paulo para viver. Mas os fluxos de imigrantes para a capital mais estrangeira do país começaram há bastante tempo. Nos séculos 15 e 16 vieram os portugueses e os bandeirantes. No século 18 os tropeiros passaram a circular entre Minas Gerais e São Paulo, principalmente. E no século 19, com a cultura do café, com a necessidade de mão de obra e a expansão da economia mais gente chegou: italianos, espanhóis, poloneses, japoneses, alemães e libaneses.

O fluxo imigratório continuou com força nas duas primeiras décadas do século 20 e manteve a cidade em ritmo acelerado de crescimento demográfico. Neste período, foram criadas as bases para o desenvolvimento industrial de São Paulo, que se tornou na década de 1960 a maior cidade do país. E a mais cosmopolita também. 

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