Conflito entre ambulantes e fiscalização estraga homenagem a Rita Lee

Por Estadão Conteúdo
Show da cantora Tulipa Ruiz no Vale do Anhangabaú, Centro de São Paulo (SP), em comemoração aos 464 anos da Cidade de São Paulo, nesta quinta-feira (25) - Rogerio Cavalheiro/Futura Press
Conflito entre ambulantes e fiscalização estraga homenagem a Rita Lee

O conflito entre integrantes da fiscalização da prefeitura de São Paulo e ambulantes assustou e azedou a festa que celebrava o aniversário de 70 anos de Rita Lee, no show Rita 70, que integra a programação de celebração do aniversário de São Paulo, realizado no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade, nesta quinta-feira, 25.

Quando Tulipa Ruiz estava sobre o palco, a cantar Chega Mais, fiscais abordaram um carrinho que vendia bebidas sem autorização em meio ao público, diante da reportagem. Logo, o guarda sol que protegia o isopor foi ao chão e a confusão teve início.

Parte do público correu, parte reagiu à ação da fiscalização. Por minutos, o Anhangabaú ficou em silêncio. Tulipa pedia por paz, ao microfone, mas desistiu. Banda e público assistiram às trocas os socos e pontapés, inertes. Latas foram arremessadas na direção dos fiscais. Algumas acertaram em cheio. A Guarda Municipal, então, interveio, com spray de gás de pimenta, levando consigo o material que era vendido ilegalmente. Ninguém foi preso, de acordo com a Polícia Militar.

A venda de bebidas é feita por agente credenciados pela organização do evento – cerveja, água e refrigerante custam R$ 5 -, mas isso não impede a presença de vendedores ambulantes que oferecem vinho e até caipirinha – sim, acredite, há um rapaz circulando como se fosse um garçom, com uma bandeja na mão e copos do drinque já pronto.

O show

A apresentação foi orquestrada por Thiago França, músico de carreira prolixa da cidade, líder da Charanga do França e integrante do Metá Metá. França, com a missão de homenagear a artista considerada rainha do rock (e do pop) brasileiro, convocou cantoras cuja obra talvez não derive diretamente da discografia da Rita Lee, mas a presença de Rita é indireta – e notável.

Já aposentada dos palcos, Rita esteve "em espírito", como disse Letícia Novaes, a Letrux, a primeira das cantoras a subir no palco montado embaixo do Viaduto do Chá. Cada artista teve seu momento solo, acompanhada por uma banda que incluía um trio de sopros, bateria, guitarra e baixo.

Performática, Letrux aqueceu o público com a intensidade que tem no palco. Em Ovelha Negra, o público respondeu bem, com palmas e refrão cantado em voz alta. Xenia França trouxe suingue em versões mais grooveadas – Desculpe o Auê foi o destaque.

A apresentação de Raquel Virginia e Assucena Assucena, as vocalistas do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira foram entrega na primeira música cantada ali (Pagu). Foram explosivas. Nas canções seguintes, passaram a olhar demais para o chão – talvez em busca das letras das músicas? – e a performance esfriou.

Por fim, veio Tulipa Ruiz, atração mais aguardada, cheia de hits no seu cartucho para cantar. Vieram Jardim da Babilônia, Bem me Quer e Chega Mais. Foi quanto a confusão estourou. Todas no palco ainda executaram Mania de Você, mas o clima já não era o mesmo. O que era bonito, azedou.

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