MPF faz pente-fino em obras de São Bernardo

Procuradora que investiga Museu do Trabalho analisa outros contratos com verba federal assinados durante a gestão Luiz Marinho (PT)

Por Vanessa Selicani - Metro Jornal ABC
MPF faz pente-fino em obras de São Bernardo

Ao menos nove outros contratos firmados com as empresas responsáveis pela construção do Museu do Trabalho e do Trabalhador em São Bernardo estão em  análise pelo MPF (Ministério Público Federal).

De acordo com a procuradora da República Fabiana Rodrigues de Sousa Bortz, as investigações estão focadas em obras que envolveram verba federal e foram firmadas com Cronacon e Flasa durante a gestão do ex-prefeito Luiz Marinho (PT). Ele comandou a cidade entre 2009 e 2016.

Juntos, os contratos somam R$ 121,4 milhões e tiveram como principal foco a construção de moradias populares. O maior deles diz respeito às obras do Conjunto Habitacional Capelinha Cocaia, orçado em R$ 46,7 milhões. Com início em 2013 e paralisadas desde 2016, apenas parte das unidades foi entregue. Veja a lista com todos os contratos ao lado.

De acordo com a procuradora, há suspeitas de que as empresas foram beneficiadas de forma irregular. “Durante a gestão de Luiz Marinho à frente do executivo municipal, as empresas Cronacon e Flasa, de forma ostensiva ou não, foram contempladas com licitações e contratos milionários para execução de serviços e obras públicas em troca de financiamento de campanhas políticas.”

Nas prestações de contas do petista nas duas últimas eleições municipais que participou, porém, não aparece nenhuma das duas empresas.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Marinho negou as acusações de irregularidade. “A procuradora deve fazer o papel dela, e bem, e a partir do seu trabalho bem feito levar a Justiça a emitir um atestado de honestidade para mim”, afirmou.

A Cronacon se pronunciou por meio de seus advogados. “Apenas gostaríamos de esclarecer que a Cronacon e seus sócios não tiveram qualquer vantagem indevida, seja na obra do MTT (Museu do Trabalho), seja nas demais obras citadas pelo MPF. Com relação ao MTT, como já há ação penal instaurada, preferimos responder a acusação no procedimento criminal”, disse por e-mail um dos defensores do grupo, o advogado Marcelo Gaspar Gomes Raffaini.  A Flasa foi procurada pela reportagem, mas não retornou aos questionamentos.

As investigações sobre Cronacon, Flasa e a gestão petista tiveram início em dezembro de 2016, quando o MPF deflagrou a Operação Hefesta. O principal objeto era o Museu do Trabalho e do Trabalhador, que teve custo de R$ 21 milhões e continua incompleto. Para a acusação, a licitação foi direcionada e a construção foi terceirizada pelas empresas vencedoras.

A obra continua embargada pela Justiça desde o começo da operação e aguarda o fim das perícias para ser concluída.  No ano passado, o MPF ofereceu à Justiça duas denúncias, referentes aos processos de projetos e licitações do museu. A primeira indicou 22 réus e a segunda, 16. O ex-prefeito Luiz Marinho aparece nas duas. Ele nega as acusações.

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Morando diz ter rompido contratos

O atual prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), disse que as empresas investigadas pelo MPF (Ministério Público Federal) não atuam mais na cidade. “Nós suspendemos todos (os contratos). Elas (Cronacon e Flasa) não receberam um centavo mais do município. A Cronacon tinha um contrato grande de habitação no Capelinha, que já foi rescindido. E eles tinham dinheiro para receber que nós não pagamos”, afirmou. Quanto ao museu, o prefeito diz que vai contratar empresa para um laudo sobre o que falta para acabar a obra e quer torná-la em uma Fábrica de Cultura.  

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